• hikafigueiredo

"O Homem Invisível", de Leigh Whannell, 2020

Filme do dia (96/2020) - "O Homem Invisível", de Leigh Whannell, 2020 - Após fugir de um relacionamento abusivo com seu marido Adrian (Oliver Jackson-Cohen), Cecilia (Elisabeth Moss) refugia-se na casa de um amigo. A sensação de Cecilia de estar sendo vigiada se mostrará mais do que mera imaginação.





Pegue um argumento bacana sobre um assunto importante e atual, junte uma atriz talentosa, misture com uma atmosfera tensa e... falhe miseravelmente no desenvolvimento do roteiro. Sinceramente, o filme foi uma frustração. O argumento é impecável - uma mulher saída de um relacionamento abusivo é perseguida por um ex violento e ninguém vê ou acredita nela, até ela própria duvidar de si mesma. As possibilidades eram infinitas para fazer um roteiro perfeito. Mas, não, tinham de "cagar" tudo. O desenvolvimento da personagem Cecilia é um dos piores que eu lembro de ter visto na minha vida inteira - num minuto ela está apavorada, completamente subjugada pelas lembranças do ex violento e, no minuto seguinte, baixa a Sarah Connor nela e ela está lá, toda cheia de coragem e iniciativa! Meu, não dá! Não dá para fazer essa mudança de personalidade sem um longo processo que a explique. Mas, não pára por aí. O desfecho é pior ainda, com a personagem assumindo outra pessoa mesmo!!!! Completamente inverossímil e, fazendo um quase desserviço à causa feminista e à luta contra a violência doméstica (queria discorrer mais a respeito, mas seria daqueles spoilers monstros). Ah, mas tem mais. O roteiro tem furos homéricos - soluções que a lógica insiste em afirmar que não rolaria EVER, mesmo com um personagem invisível! E, por fim, o diretor quis colocar uns plot twist na narrativa completamente incabíveis - quase nada do que acontece depois de uma hora de filme faz sentido ou convence o espectador. Quanto aos méritos da obra, residem, além do ótimo argumento, na atmosfera tensa que o diretor consegue imprimir no filme, na qualidade técnica da obra e na interpretação de Elisabeth Moss, ela está muito bem no papel de Cecilia (mesmo com os absurdos perpetrado pelo diretor). Em suma... suma sem olhar para trás.

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