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  • hikafigueiredo

“O Mal Que Nos Habita”, de Demián Rugna, 2023

 

Filme do dia (29/2024) – “O Mal Que Nos Habita”, de Demián Rugna, 2023 – Em um local afastado numa área rural, os irmãos Pedro (Ezequiel Rodriguez) e Jimi (Demián Salomón) encontram partes de um corpo dilacerado. Eles acabam por descobrir que o falecido era um executor - especialista em executar pessoas possuídas por demônios. Investigando um pouco, os irmãos descobrem que há um “possuído” nas cercanias e concluem, junto com o vizinho Ruiz (Luis Ziembrowski), que eles têm de fazer algo a respeito.




 

Depois do excepcional “Aterrorizados” (2017), o diretor argentino Demián Rugna retorna ao gênero terror, entregando mais um filme repleto de virtudes – mas não só. Se no primeiro filme, Rugna concentrava sua atenção em uma área urbana, mais especificamente em um bairro na movimentada Buenos Aires, aqui ele parte para o interior, para as terras distantes do pampa argentino. O argumento é tão surpreendente, quanto aterrador: naquela realidade, os casos de possessão são notórios e aceitos com certa naturalidade, ainda que com alerta e temor. Aqueles que se deparam com um caso de possessão precisam entrar em contato com as autoridades, existindo um protocolo a seguir para evitar a propagação do mal. Na história, uma mulher indígena percebe que seu filho está possuído, avisa as autoridades, mas um ano se passa sem que nenhuma medida seja tomada. Quando, finalmente, um executor é destacado para dar fim ao possuído, ele é severamente assassinado. Diante disso, dois irmãos, na companhia de um vizinho, resolvem tomar as rédeas da situação e tentar resolver a questão. No entanto, a falta de conhecimento dos três acaba por piorar tudo, liberando um mal ainda pior e mais descontrolado. As cenas iniciais da obra elevam a expectativa para outro patamar – a ideia é ótima e, diferentemente da praxe nos filmes de terror, já nos deparamos com um “possuído” logo no início da narrativa.  A caracterização do possuído ajuda a manter altíssima a expectativa – com um misto de asco, medo e piedade, observamos aquela pobre criatura possuída jogada em uma cama, sem nem imaginar do que ela poderia ser capaz se liberada daquele corpo putrefato. Daí em diante temos uma escalada de violência e medo como poucos filmes alcançaram. No entanto, a narrativa – que tem uma primeira meia hora irrepreensível – perde-se um pouco na segunda metade, quando personagens parecem agir aleatoriamente e sem qualquer lógica, além de acontecerem coisas que não resistem a uma análise mais severa. Preciso dizer que, nesse momento, perdi um pouco o frisson que estava sentido até então – não diria que a obra chega ser ruim por isso, mas esse meio para o fim decepciona quando comparado ao início fora de série. A narrativa é linear e o ritmo vai do lento ao frenético em bem pouco tempo. A atmosfera é de angústia e desespero e nem de longe nos dá um alívio qualquer de otimismo – ao contrário, tudo acena com os piores prognósticos possíveis. O filme traz um terror mais próximo do psicológico do que do jumpscare – os personagens são torturados pelo medo e pela culpa e, junto com eles, sofrem os espectadores. A obra tem, ainda, um pezinho no gore, com várias cenas que causam nojo e/ou aflição. Destaco o ótimo trabalho de maquiagem e efeitos especiais, bem como a fotografia escura e lúgubre que dá a tônica. Gostei da escolha de locação – o fato de estarmos no meio do nada, numa área rural com poucos habitantes, legam sensações de solidão, abandono e urgência ainda maiores. Do elenco, destaco a participação de Virginia Garófalo como Sabrina e Emilio Vodanovich como Jair. A personagem Mirtha, interpretada pela atriz Silvina Sabater, acabou meio perdida na trama – uma pena, pois ela tinha muito potencial. Aliás, tenho isso para o filme também – o potencial da história era estratosférico, mas foi perdido, em parte, quando o roteiro começa a ratear (em especial na cena da escola e nas cenas contíguas). Apesar de algumas comidas de bola, o filme é acima da média para o gênero e consegue deixar o público tenso. Diria, inclusive, que gostei mais do filme depois de certo período de depuração dos sentimentos. Gostei com ressalvas, mas acho que merece muito ser visto, junto com o ótimo “Aterrorizados”.

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