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"O Menino e O Mundo", de Alê Abreu, 2013

Filme do dia (75/2018) - "O Menino e O Mundo", de Alê Abreu, 2013 - O menino vive com seus pais e uma área rural, afastada, junto aos animais e á natureza. Um dia, o pai do menino sai de casa, em busca de melhores condições de trabalho, largando a família. O menino, inconformado, sai a esmo pelo mundo, a procura de seu pai.





A animação brasileira, concorrente ao Oscar na sua categoria, recebeu o prêmio principal no Festival de Annecy, a mais importante premiação na área de animação, em 2014. O traço simples, infantil, pouco mais que o tradicional "menino-palito" das crianças, impressiona pela expressividade e pela fluidez dos movimentos. Ao contrário da tendência mundial de criar animações ultra-realistas e cheias de detalhes, a obra "enxuga" as informações transmitidas, limitando-as ao essencial - a opção mostrou totalmente acertada, pois, com poucas imagens e um cenário próximo ao minimalista, as mensagens passadas não deixam dúvidas de seus significados. O desenho infantil, quase ingênuo, sugere uma história bobinha para crianças. Ledo engano. A história é extremamente crítica e absolutamente atual, abarcando temas como a destruição do meio ambiente, o consumismo desenfreado, a voracidade do capitalismo, as desigualdades sócio-econômicas, as mazelas sociais, a violência contra o trabalhador, o militarismo, dentre outros. Curiosamente, toda essa crítica é transmitida sem o uso de uma palavra sequer, uma vez que não há um único diálogo compreensível ao longo da obra. A música, no entanto, por seu lado, é fortíssimo elemento dramático no filme, acompanhando todos os altos e baixos da história e contando com a participação de nomes como Naná Vasconcelos, Barbatuques e Emicida. A atmosfera inicial do filme é leve, lúdica, mas, paulatinamente, torna-se mais pesada e sombria, à medida em que o menino se afasta da natureza e adentra ao universo da metrópole. Da mesma forma, a obra, inicialmente clara e colorida, assume cores acinzentadas quando chega à cidade grande. Destaco que, apesar do menino deparar-se com toda sorte de problemas sócio-econômico-ambientais ao longo de sua jornada, ele também sempre encontrou quem lhe acolhesse e oferecesse solidariedade. Por fim, a obra também trabalha as questões da saudade, da memória, da infância e do afeto. O espectador certamente encontrará uma obra melancólica, mas não desprovida de esperança e nada que realmente pese o coração. O filme é lindíssimo, original e necessário. PRECISA SER VISTO!!!

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