• hikafigueiredo

"O Monstro do Ártico", de Christian Nyby, 1951

Filme do dia (136/2021) - "O Monstro do Ártico", de Christian Nyby, 1951 - Em uma base de pesquisas no Ártico, um grupo de cientistas encontra uma nave extraterrestre caída. Um tripulante é encontrado congelado e levado à base, o que vai se demonstrar um erro fatal.






O filme encontra-se nos limites entre os gêneros sci-fi e terror e traz algumas ideias no mínimo perigosas. Ao longo da narrativa todas as decisões tomadas pelos cientistas mostram-se equivocadas, precipitadas ou perigosas, enquanto que aquelas partindo dos militares demonstram-se equilibradas e acertadas. Naquela época, estando, o mundo, em plena Guerra Fria, é compreensível que a máquina de propaganda de cada bloco tentasse convencer a população de que estava em ótimas mãos sob os "cuidados" dos militares - infelizmente sabemos que toda essa competência não é verdade e que as reais soluções razoáveis devem partir, mesmo, é da ciência. Eu, particularmente, acho perigosíssima qualquer narrativa que desmereça a ciência, a pesquisa e o conhecimento - por essas e por outras que, no mundo da pós-verdade, opinião tem sido mais valorizada que o saber e vemos a disseminação de groselhas do nível "Terra plana" ou "vacina causa autismo". Esta narrativa subliminar da obra me incomodou profundamente, de forma que não consegui ver o filme com bons olhos. Aqui o tempo é cronológico e o ritmo moderado, propiciando mais suspense que "afobação". A atmosfera é tensa, mais dada ao terror que à ficção científica. No elenco, Margaret Sheridan como Nikki, Kenneth Tobey como Capitão Hendry e Robert Cornthwaite como Dr. Carrington, todos bem em seus papeis, mas sem grandes destaques. A decisão de não mostrar com muitos detalhes a criatura extraterrestre mostrou-se acertada, de maneira que evitou um envelhecimento certo. A obra foi a inspiração para outro famoso filme de ficção científica - "O Enigma de Outro Mundo", de John Carpenter (1982). Para mim, foi um filme sem brilho e cujos signos subliminares - equivocadíssimos - me causaram arrepios. Não curti não e só recomendo para quem quiser ver como se disseminam ideias manipuladas que atingem em cheio o imaginário de quem não consegue fazer uma análise mais crítica daquilo que está "nas entrelinhas".

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