• hikafigueiredo

"O Motorista de Táxi", de Jang Hoon, 2017

Atualizado: 23 de ago. de 2019

Filme do dia (106/2019) - "O Motorista de Táxi", de Jang-Hoon, 2017. Coréia-do-Sul, 1980. Estudantes da cidade de Gwangju manifestam-se contra a ditadura de Chun Doo-hwan. As manifestações, no entanto, evoluem para um grande massacre perpetrado pelo exército, com a morte de inúmeros cidadãos. Sem saber exatamente o que acontecia naquela região, o jornalista Jurgen Hinzpeter (Thomas Kretschmann) contrata um motorista de táxi (Song Kang-ho) em Seul para levá-lo a Gwangju. Surpreendidos pela violência da repressão às manifestações, o repórter e seu motorista terão de lutar pela sobrevivência.



Baseado em fatos reais (mas, evidentemente, bastante romanceado), o filme tem o mérito de denunciar as forças repressoras do governo sul-coreano durante o chamado "massacre de Gwangju", ocasião em que manifestantes foram duramente assassinados pelo exército daquele país. O massacre só ganhou o noticiário internacional graças ao trabalho quase suicida do jornalista alemão Jurgen Hinzpeter , o qual foi auxiliado por um motorista de táxi leal e determinado cujo nome jamais soube e por quem procurou durante anos até sua morte. A história é bacana, até mesmo emocionante, mas temos de concordar que o diretor pisou a mão no tanto que romanceou a narrativa. O foco mirou o motorista - e justamente por ser uma pessoa absolutamente desconhecida, de quem quase nada se sabe, abriu caminho para a criatividade do roteirista. A personalidade do motorista e sua "transformação", seu despertar, ao longo da história são fruto exclusivamente da imaginação do roteirista - e acho que isso contribuiu mais negativamente do que positivamente para a obra. Além disso, algumas passagens da narrativa são absolutamente inverossímeis - como a colaboração dos taxistas de Gwangjiu, alçados quase a super-heróis, algo bem difícil de acreditar. Também acho que o diretor exagerou no melodrama - a história poderia ter rendido um drama bastante seco, bem ao estilo oriental, caso não tivesse abusado da trilha sonora e das câmeras lentas (já disse que detesto quando o diretor de um filme tenta manipular as minhas emoções através de subterfúgios como trilha sonora que sobe, chorosa, no momento em que eu deveria chorar; gosto de roteiro que se basta para me emocionar, sem tais artifícios). Acredito - mas isso é opinião minha - que o filme teria ganhado bem mais se tivesse focado na figura do jornalista, de quem se têm, efetivamente, informações, e se tivesse se atido aos fatos - escabrosos por si só - para criar impacto. As interpretações também erraram um pouco a mão, certamente por orientação do diretor, exagerando um tanto em algumas passagens, mas não chegaram a estragar o filme. Absoluta simpatia pelo ator Ryu Jun-yeol, que interpretou o estudante Jae-sik. O filme não é tuuuuuudo aquilo, está um pouco aquém de outras obras do incrível cinema sul-coreano, mas tem lá seus méritos. Para ver descompromissadamente.

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