• hikafigueiredo

"O Nascimento de uma Nação". de D. W. Griffith, 1915

Filme do dia (200/2020) - "O Nascimento de uma Nação". de D. W. Griffith, 1915 - Os dois irmãos da família Stoneman vão visitar seus amigos sulistas da família Cameron. Pouco tempo depois, estoura a Guerra Civil, separando os amigos, visto que cada família lutará de um lado.



Ai ai ai... Fiz um esforço sobre-humano para rever este filme, já visto nos anos de faculdade. Para quem não sabe, esta é a obra que, praticamente, criou a linguagem cinematográfica clássica, deixando de ser puro "teatro filmado" para se converter em cinema propriamente dito. Foi neste filme que começamos a ter montagens paralelas dando ideia de simultaneidade, noções de eixo, uso de diferentes planos para chamar a atenção de algo, dentre outras questões da linguagem cinematográfica. Assim, a obra é, definitivamente, um marco do cinema. Ocorre que, além de ser de vital importância para a sétima arte, o filme é odioso por seu conteúdo. Controverso até mesmo na época em que foi feito, o filme, nos dias de hoje, chega a ser escabroso!!!!! A obra é o epíteto do racismo!!!! Não bastassem os inúmeros "black face" que inundam o filme - ridículos, por sinal -, os negros são mostrados como preguiçosos, maus caracteres, maquiavélicos, manipuladores, violentos e ingratos. Os brancos, em contraposição, são só virtudes. É asqueroso! Ah, mas não pára por aí!!! Os grandes heróis da obra são... os membros da Ku Klux Klan!!!! (não há pontos de exclamação suficientes no mundo!). Com um conteúdo desses, não é surpreendente que o filme tenha causado e ainda cause tanta polêmica. É necessário se imbuir de extrema boa vontade para assisti-lo - motivo do meu comentário lá no início do que escrevi. Esquecendo o conteúdo deplorável, o filme é impressionante por inúmeros fatores - além de surgir com uma nova linguagem, o filme é todo grandioso! Não são poucas as cenas contendo centenas de figurantes, onde temos os primeiros efeitos especiais ou, ainda, a reconstrução de locais históricos. Por este aspecto, o filme "enche" os olhos. A narrativa é linear e o ritmo é impressionantemente ágil para a época. A direção de arte de época é respeitável e a fotografia apresenta uma grande variedade de planos e soluções (talvez até demais). O elenco é enorme e confesso que só reconheço a diva Lillian Gish. Para completar, a versão que eu vi tinha infindáveis 193 minutos, separados em duas partes - a primeira desce quadrado, mas a segunda é realmente de amargar... A despeito de sua importância para o cinema, o filme é quase insuportável. Só recomendo mesmo para quem tem muito interesse na história do cinema.

PS - E o que é esse poster???? Cara... só na base do plasil mesmo...

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