• hikafigueiredo

"O Planeta Proibido", de Fred McLeod Wilcox, 1956

Filme do dia (109/2021) - "O Planeta Proibido", de Fred McLeod Wilcox, 1956 - No ano de 2200, uma nave espacial, comandada pelo Comandante J.J. Adams (Leslie Nielsen), é enviada ao planeta Altair IV para resgatar uma missão científica enviada para o local vinte anos antes. Ao chegar ao planeta, o comandante descobre que os únicos sobreviventes da missão são o Dr. Morbius (Walter Pidgeon) e sua filha Altaira (Anne Francis), os quais não pretendem abandonar o lugar. Suspeitando que alguma coisa está errada, o comandante resolve investigar.





O filme tem uma premissa interessante - por mais desenvolvido e elevado que um indivíduo seja, ele sempre poderá ter, em seu subconsciente, uma força maligna ancestral que, se não controlada, poderá manifestar-se de alguma forma, colocando a perder toda a conquista civilizatória alcançada. Ainda que este seja um argumento válido, não posso revelar como ele se encaixa na história para não perder toda a graça da obra. O roteiro é vagamente inspirado na peça "A Tempestade", de Shakespeare, e muito provavelmente por isso mesmo, é bastante sólido. A narrativa é linear, com um ritmo moderado, mas crescente. A atmosfera deixa evidente a tensão existente entre o Comandante J.J. Adams e o Dr. Morbius - o primeiro desconfiando das intenções do segundo e este temendo que a chegada da nave desperte uma estranha força existente no planeta e que já dizimara todos da missão científica. Entre os dois, a presença da filha de Morbius, Altaira. Aqui, um aparte: é impressionante como, em 1956, o assédio masculino às mulheres era escancarado! A forma como os personagens masculinos se jogam acintosamente para cima da personagem Altaira chega a ser incômodo e constrangedor. Mas o machismo estrutural que emana do filme não para por aí não. A tripulação da nave espacial não conta com nenhuma - NENHUMA - mulher: pelo visto, na década de 50, acreditava-se que, em pleno século XXIII, as mulheres continuariam exclusivamente em casa, cozinhando e cuidando dos filhos. Além disso, o personagem J.J. Adams ainda repreende Altaira pela roupa que ela usa, dizendo que isso provocaria a tripulação - homens reprimindo mulheres porque não saberem se comportar... Esses são apenas dois trechos de machismo crasso, tem mais... Voltando ao filme, a obra traz um personagem que voltaria a aparecer em outro filme e em episódios da série "Além da Imaginação": Robby, um simpaticíssimo robô "pau para toda obra". O filme conta com alguns efeitos especiais razoáveis para a época, alguns dos quais feitos com o auxílio de técnicas de animação. No elenco, Leslie Nielsen em começo de carreira como galã (quem diria que ele ficaria marcado, anos depois, como comediante), Walter Pidgeon como Dr. Morbius e Anne Francis, como a jovem Altaira - ninguém aqui tem uma interpretação digna de nota, mas quem se sai melhor é Walter Pidgeon. A obra não é magnífica, mas é bem razoável, prendeu a minha atenção até o final e não teve um desfecho ruim. Eu gostei e recomendo para quem curte o gênero sci-fi.

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