• hikafigueiredo

"Odisseia para Além do Sol", de Robert Parrish, 1969

Filme do dia (289/2021) - "Odisseia para Além do Sol", de Robert Parrish, 1969 - Cientistas da Agência Espacial Europeia descobrem um planeta em posição diametralmente oposta à Terra em relação ao sol. Entusiasmados, resolvem enviar uma expedição para explorar o planeta recém descoberto. O rápido retorno dos astronautas à Terra, no entanto, intriga os cientistas, que passam a criar teorias acerca dos fatos.





Ainda que este filme seja, atualmente, tratado como "cult", eu vi pouca coisa que justifique uma recepção mais calorosa a ele. De um lado, como 99,9% dos filmes sobre viagens espaciais, não há qualquer respeito pela física: até aí, nada que tantas outras obras já não tenham feito, mas aqui é um pouquinho pior, pois é inconcebível uma incursão interplanetária que se desloque em direção ao sol para alcançar um ponto diametralmente oposto à Terra em relação a ele - em outras palavras, a rota de viagem teria de passar pelo sol e não há teoria da física que comporte essa ideia sem significar uma ação suicida. Além dessa ideia bem sem noção, o roteiro tem outros tantos pontos, na minha opinião, equivocados. Há questões que são apresentadas na história e que não se dá qualquer continuidade, como, por exemplo, a espionagem sofrida pela Agência Espacial Europeia (não ficamos sabendo sequer quem burlou a segurança da Agência e o que foi feita das informações obtidas) ou a relação conturbada do personagem Glenn Ross com sua esposa Sharon - são cenas que não chegam a lugar nenhum e nada acrescentam à história, então, por que mantê-las? Lendo a respeito - já que fiquei cismada com tantas pontas soltas -, descobri que o roteiro foi completamente desfigurado por conta de cortes exigidos pelo diretor e pelos produtores, resultando numa história cheia de "buracos". A maneira como se chega a uma teoria para os acontecimentos do filme (sem spoilers) também é colocada de maneira estanque - não é bem desenvolvida, não cria um suspense nem nada, sendo frustrante para o espectador. Enfim, vi muitos problemas da obra quanto ao desenvolvimento da narrativa e se isso não foi de responsabilidade direta dos roteiristas, foi do diretor e dos produtores. Visualmente, tive a impressão de estar vendo um grande episódio de "Jornada nas Estrelas" - a estética é exatamente igual, a mesma concepção de futuro, o mesmo tipo de equipamentos, mobiliário, etc, tudo muito pouco criativo para um filme de ficção científica. Os efeitos especiais mostraram-se irregulares - alguns ainda bons para os dias de hoje, outros envelheceram muito mal, muito embora possam ter sido ótimos no passado. A fotografia "desmaiada" - cores sem contraste ou saturação - e com planos super convencionais também não me animou. A edição que desfigurou o roteiro nem mereceria menção, mas vale para indicar como não se deve fazer uma montagem cinematográfica. Quanto ao elenco, destaque para Roy Thines como o personagem Glenn Ross - o destaque fica por conta de sua importância na história, porque sua interpretação não teve nada de mais, ao contrário, foi bem pífia; e para Patrick Wymark como Jason Webb, diretor da Agência Espacial Europeia, na minha opinião, o único personagem realmente interessante da história. O elenco é completado por Ian Hendry como Dr. John Kane e Lynn Loring como Sharon. Gente... o filme é ruim, hein... difícil defender. Os méritos que eu vi ficaram por conta da parte em que o diretor Jason Webb sai atrás de financiamento para a expedição (gostei de terem abordado isso) e pela cena em que é feita uma videoconferência (em tempos de pandemia e distanciamento social, aparece como um tiro certeiro acerca do futuro). Sinceridade? Não. Não percam tempo. Cult ou não cult, o filme é bem chulé.

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