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  • hikafigueiredo

“Os Caça-Fantasmas”, de Ivan Reitman, 1984

Filme do dia (97/2023) – “Os Caça-Fantasmas”, de Ivan Reitman, 1984 – Três pesquisadores de parapsicologia – Dr. Peter Venkman (Bill Murray), Dr. Raymon Stanz (Dan Aykroyd) e Dr. Egon Spengler (Harold Ramis) – descobrem uma forma de aprisionar seres sobrenaturais. Durante uma infestação desses seres na cidade de Nova York, o Dr. Venkman se depara com a musicista Dana Barrett (Sigourney Weaver) e descobre que a cliente está sendo assombrada por muito mais do que um mero fantasma.





Neste filme icônico da década de 80, temos uma divertida junção de comédia, ficção científica e terror, sobrando até mesmo um espacinho para o romance. A história acompanha três estudiosos da parapsicologia que encontram uma forma de “limpar” os ambientes de seus seres sobrenaturais, os quais estão se alastrando pela cidade de Nova York. Rapidamente, os três pesquisadores descobrem que a invasão de fantasmas e similares está ocorrendo porque uma antiga divindade da Mesopotâmia está prestes a se revelar na cidade. O argumento da obra é sensacional e não mereceria qualquer reparo. O roteiro, no geral, também funciona bem, acumulando fãs até os dias de hoje, mas algumas questões que eram naturalizadas na época de sua produção, sinceramente, hoje são bastante incômodas. A principal questão que não me desce é a conduta extremamente abusiva e sexista do personagem Venkman – a forma como o personagem age em relação às mulheres em geral, e à personagem Dana em particular, se enquadra perfeitamente em assédio sexual!!! Ele é profundamente inconveniente, assediando as mulheres de uma forma ostensiva e insistente, perseguindo Dana e tentando criar intimidade com ela, causando evidente constrangimento e desconforto na personagem. É incrível que, na década de 1980, isso era visto com total naturalidade e causava comicidade onde deveria haver indignação e limites. Outra coisa que me chamou a atenção foi a quantidade de cenas em que os personagens fumam – impossível não ter dedo da indústria do tabaco, porque são sequências seguidas onde TODOS fumam em cena... e temos de lembrar que o público-alvo aqui era principalmente o infanto-juvenil, nada mais inadequado que isso! Ah, sim... a cena do sonho do personagem Raymond talvez se equipare em inadequação para um filme para crianças (sem spoilers, mas com extrema conotação sexual). Enfim, é uma obra com um super argumento, mas que, numa leitura mais atual, expõe algumas questões bem controversas. A narrativa é linear, em ritmo intenso e crescente. A atmosfera é divertida, leve, completamente diversa de um filme habitual que trata do sobrenatural. Formalmente, é um filme bem basicão hollywoodiano. Os efeitos especiais, que à época até foram indicados ao Oscar (1985) na categoria de Melhores Efeitos Visuais, mostram-se bastante irregulares – alguns até ainda são “okay” (como o espectro do sonho de Raymond), mas outros envelheceram pessimamente, como a perseguição de Louis pelo monstro Vinz Clortho – simplesmente horrível! No quesito trilha musical, impossível não mencionar a canção-tema, interpretada por Ray Parker Jr., que lhe rendeu uma indicação ao Oscar (1985) à categoria de Melhor Canção e que até hoje gruda na nossa mente como superbonder!!! O elenco traz Bill Murray como o desprezível Dr. Venkman (desprezível hoje, né? Na época ele era o principal “heroi”, o verdadeiro protagonista!). Apesar de odiar o personagem, admito que Bill Murray esteve muito bem no papel, entregando aquilo que o roteiro lhe exigia. Dan Aykroyd interpreta o Dr. Stanz, que, junto com Harold Ramis, o Dr. Spengler, forma a dupla de gênios, verdadeiros responsáveis pelo sucesso das experiências do grupo. Sigourney Weaver interpreta Dana e sinto muito que ela tenha tido um papel tão objetificado. Ela está bem, mas o trabalho é bem simples para uma atriz de seu porte (eterna Tenente Ripley). Ernie Hudson interpreta o quarto componente do grupo, Winston, contratado para ajudar o trio. Rick Moranis interpreta o personagem Louis e, como sempre, é uma figura cômica que desperta certa piedade. O filme é um marco para quem foi criança ou adolescente na década de 80, motivo pelo qual tenho um afeto saudoso e muita memória afetiva por ele. Apesar dos incômodos narrados pela leitura atual, ainda adoro o filme e recomendo, mas com aquelas ressalvas.

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