• hikafigueiredo

"Os Embalos de Sábado à Noite", de John Badham, 1977

Filme do dia (418/2020) - "Os Embalos de Sábado à Noite", de John Badham, 1977. Brooklin, NY, década de 70. Tony Manero (John Travolta) é um rapaz de 19 anos que tem um emprego medíocre em uma loja de tintas e não possui grandes aspirações na vida. Aos fins de semana, no entanto, Tony brilha nas pistas de danças de um pequeno clube noturno local, onde ele é venerado pelos demais frequentadores. O contato com Stephanie (Karen Lynn Gorney), uma nova parceira de dança, abrirá novos horizontes para o jovem.





Aaaaaain... que filminho meia boca, minha Deusa... A obra, que fez um sucesso estrondoso na época do lançamento e traz uma trilha sonora repleta de hits setentistas, mostra-se raso feito um pires, muito embora esbarre em temas que poderiam ser bastante interessantes se satisfatoriamente desenvolvidos. O filme discorre, principalmente, sobre a ausência de perspectivas de uma grande parcela de jovens dos bairros mais humildes e marginalizados de Nova York, rapazes e moças sem sonhos ou aspirações, imediatistas, alienados, focados em prazeres efêmeros, frustrados, desiludidos e imersos em uma realidade vazia e violenta. As gangues já proliferam e opõe grupos rivais, seja por sua origem, seja por sua etnia. Nesse contexto, acompanhamos um fragmento da vida de Tony e de seus amigos, todos perfeitos produtos desta realidade pouco auspiciosa, e, assim, violentos, superficiais, preconceituosos e infantilizados. A ideia poderia ser bacana, não fosse um roteiro errático e a presença de personagens estereotipados, em especial, os secundários. Os amigos de Tony são insuportavelmente vazios e mesmo o protagonista não revela espessura ou complexidade. Tampouco quem vai despertá-lo um pouco desse marasmo aparenta ter tanto assim a oferecer, a personagem Stephanie, um amontoado de clichês totalmente alinhados com o establishment (só ficou faltando um grande discurso sobre meritocracia... argh!!!!). Stephanie surge como uma deslumbrada com a realidade de Manhattan, do outro lado do Rio Hudson, e nem toda a vontade de "vencer na vida" fazem-na um pouco menos superficial. Em suma, falta estrato à narrativa e aos personagens, e sobra preconceito, machismo, violência e abuso (inclusive tem uma cena de estupro que eu não consigo crer que pudesse ser vista como normal já naquela época, um choque). Por outro lado, o retrato de uma época envolta em muita badalação não deixa de ser divertido - o filme é MUITO anos 70 e mesmo quem não viveu o frenesi parece sentir certa nostalgia daquele tempo. Outra coisa que eu gostei foi da dinâmica familiar dos Maneros - ela me pareceu bastante característica das famílias humildes de ascendência italiana e justifica a alienação do jovem. A narrativa é linear, o ritmo é intenso e a atmosfera mistura certa melancolia com excitação, por mais estranho que isso possa parecer, mas explico: a realidade é desanimadora, mas aquelas poucas horas passadas com os amigos no clube noturno trazem uma euforia desmedida aos personagens. O desfecho, por fim, para mim, foi a coisa mais aleatória do universo - tive a sensação de que o roteirista não sabia como terminar e simplesmente colocou um ponto final no meio da história - bizarro!!! Quanto à parte técnica, achei a fotografia descuidada, sem saturação, umas cores meio lavadas, muito embora os ambientes repletos de luzes e cores; a montagem também não me soou bem desencadeada, eu a senti truncada; o destaque, certamente, fica por conta da trilha sonora dos Bee Gees - é um hit após o outro, muitos deles muito bem encaixados nas cenas (exceção absoluta à cena final, com uma musiquinha meio romântica após acontecer um incidente trágico... "what'a fuck"!!!!). Quanto às interpretações, eu gosto muito do John Travolta, mas, a despeito das muitas indicações a prêmios que ele recebeu, incluindo aí Oscar e Globo de Ouro, eu não achei sua atuação nada de outro planeta, pelo contrário, achei bem sem graça. Melhor não esteve, ainda, Karen Lynn Gorney, totalmente apática. Quem, na minha opinião, se sobressaiu, foi Donna Pescow como Annette. Olha... o filme tem mais fama do que razões para ser admirado e, não fosse a trilha sonora e UMA cena de dança, acho que o esqueceria em menos de uma semana. Fraco, fraquíssimo. Só mesmo para amantes dos Bee Gees e do John Travolta.

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