• hikafigueiredo

"Os Nibelungos - A Vingança de Kriemhild", de Fritz Lang, 1924

Filme do dia (176/2020) - "Os Nibelungos - A Vingança de Kriemhild", de Fritz Lang, 1924 - Após a morte de Siegfried, Kriemhild (Margarete Schön) casa-se com o rei dos Hunos, Etzel (Rudolf Klein-Rogge), dando-lhe um filho. Mas a rainha jamais esqueceu o herói Siegfried e arquitetou sua vingança.





Na segunda parte da versão cinematográfica de "Os Nibelungos", temos o desfecho da lenda e, como o nome já revela, trata-se da vingança da rainha Kriemhild. Vendo a narrativa integral, entendo que a lenda discorre, basicamente, sobre lealdade - ainda que tudo que tenha dado errado na existência daquela família real tenha acontecido justamente porque o rei foi desleal e rompeu um juramento firmado. Cá entre nós, se a ideia era exaltar o povo alemão, para mim não funcionou porque a atitude nos Nibelungos depois da morte de Siegfried para mim foi desprezível e dei todo o meu apoio à Kriemhild (ainda que, bem, ela pegou pesado... rs). Ainda tenho uma leitura particular acerca dos acontecimentos sob uma ótica feminista, mas, novamente, não posso entrar em detalhes para não contar a história inteira. O filme segue as mesmas diretrizes da primeira parte - fotografia P&B marcada, trilha sonora eloquente, muitos planos gerais e um número ainda maior de figurantes nas cenas de luta. O que se acrescenta aqui é o núcleo dos Hunos, e, como era de se esperar pela época em que o filme foi feito, onde inexistia a ideia de representatividade, temos quase todos os hunos com perfeitas feições germânicas sob a maquiagem pesada. Não gostei de como os Hunos foram representados - como quase selvagens - enquanto os alemães são representados como o povo civilizado (bom... é a lenda deles, né? Não dava para esperar tanta imparcialidade assim rs). Nessa parte a atriz Margarete Schön ganha maior destaque e sua expressão corporal muda, ganhando gestos duros em algumas cenas, assim como sua expressão facial que transita entre a frieza e o ódio cego. No papel do rei Huno Etzel, Rudolf Klein-Rogge ganha uma maquiagem pesada, que o deixa meio desfigurado (propositalmente, representando o passado de lutas do rei), e interpreta o rei como um homem sem qualquer refinamento, ainda que justo e hospitaleiro. Não gostei da interpretação de Rudolf Klein-Rogge, achando-a muito exagerada, histriônica. A segunda parte da saga continuou me arrebatando, eu adorei. Fritz Lang mostrou toda a sua genialidade que seria novamente demonstrada três anos depois no clássico "Metrópolis" (1927) e, posteriormente, em "M, O Vampiro de Dusseldorf" (1931). Recomendei a primeira parte e recomendo a segunda também!

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