• hikafigueiredo

"Os Olhos da Cidade São Meus", de Bigas Luna, 1987

Filme do dia (182/2021) - "Os Olhos da Cidade São Meus", de Bigas Luna, 1987 - Uma mãe controladora (Zelda Rubinstein) hipnotiza seu filho John (Michael Lerner) para que ele se vingue de seus desafetos, matando-os e extirpando seus olhos.





Eu definitivamente não gosto do cinema de Bigas Luna. Por mais que eu insista, eu ainda não achei um filme dele que eu goste verdadeiramente. Essa obra, considerada por alguns um clássico do terror, também não me agradou e sequer faz parte do tipo de filme do gênero que eu goste. É quase impossível falar dessa obra sem incorrer em spoiler, motivo pelo qual terei de ser extremamente superficial ao comentá-la. O filme é, basicamente, sobre o voyerismo, no sentido de "ato de olhar" - e não é apenas pela questão dos olhos retirados, como se poderá ver mais para frente; o filme trata na natureza profundamente voyerística do ser humano, que não consegue evitar de olhar, observar, perscrutar com os olhos. Nesse sentido, o filme trata, também, da relação das pessoas com o cinema - existe atividade mais voyerística que o cinema? - de forma que podemos considerar que a obra discorre muito sobre o próprio cinema, ainda que de uma forma meio alegórica. Okay, pode ser uma abordagem até interessante, mas não era o que eu esperava para um filme de terror. A narrativa inicia-se, o espectador começa a se envolver com a história e, sem mais, acontece um plot twist cabeludo e a história muda completamente - e é aqui que eu não quero dar spoiler para não estragar a experiência do coleguinha, ainda que, para mim, a reviravolta não tenha agradado. A narrativa é linear, em ritmo bem marcado e a atmosfera é de tensão e claustrofobia. A edição que alterna - hmmm, como dizer sem dar spoiler - dois arcos diferentes é um mérito do filme, talvez o que ele tenha de mais criativo. Algo que marca bastante a obra é a presença de Zelda Rubinstein - mais conhecida por sua participação em "Poltergeist" (1982) - sua imagem excêntrica e sua boa interpretação da mãe controladora estão entre os méritos da obra. Talvez por lidar com esse aspecto da "leitura do olhar", o filme possa agradar o espectador mais cinéfilo e dado a interpretações, mas não sei se o público específico do gênero terror vai curtir muito. Eu fui pega de surpresa e ainda que veja algumas qualidades no obra, ela não "pegou". Recomendado apenas para quem gosta muito de destrinchar cinema.

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