• hikafigueiredo

"Os Parecidos", de Isaac Ezban, 2015

Filme do dia (51/2019) - "Os Parecidos", de Isaac Ezban, 2015. México, 1968. Durante uma estranha tempestade de alcance mundial, um grupo de pessoas fica preso em uma rodoviária em uma pequena cidade próxima à Cidade do México. Todos tem urgência em sair do local, mas todos os coletivos estão atrasados e sem previsão de chegada. Subitamente, um a um, os presentes passam a ter estranhas convulsões, oportunidade em que suas fisionomias se modificam, tornando-os todos similares entre si.





O filme, que une suspense, terror e ficção científica, tem a habilidade de, ao mesmo tempo, criar tensão e uma poderosa sensação de claustrofobia. A atmosfera geral é de agonia crescente, assim como é gradativa a impressão de que entendemos cada vez menos o que está acontecendo - e, para mim, é aí que reside o principal problema da obra. Entendo que ter dúvidas acerca do que está ocorrendo na história faz parte da construção da tensão, mas, quando esta dúvida de estende excessivamente, tem-se a impressão (ou, no caso, a certeza absoluta!) de que não estamos "alcançando" a história. E eu fiquei com essa sensação de compreensão "fluida" até o fim da obra - em outras palavras, acho que entendi superficialmente a narrativa, restando várias questões a serem respondidas - e isso não é bom, no meu entender. Achei a construção dos personagens igualmente confusa, ninguém tem profundidade e "solidez". Por outro lado, gostei da estética do filme: a fotografia extremamente esmaecida dá uma aura envelhecida, saudosista, à obra, como se fosse uma velha fotografia. As cores, aqui, são quase imperceptíveis e não foram poucas as vezes que me pareceu ser um filme em P&B. Das interpretações, destacaria Cassandra Ciangherotti como Irene e Gustavo Sánchez Parra como Ulisses. O menino Santiago Torres também chama a atenção, com sua expressão de maluco, como o pequeno Ignácio - acho, inclusive, que ele é uma das melhores coisas do filme. Olha... é um filme bem tenso, com um ótimo argumento, mas que, ao meu ver, perdeu-se do meio para o final. Não diria ruim - não, isso seria exagero - mas, certamente, aquém do que poderia ser se melhor dirigido. Entre este e "Aterrorizados", prefiro o último.

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