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  • hikafigueiredo

"Os Sapatinhos Vermelhos", de Emeric Pressburger e Michael Powell, 1948

Filme do dia (114/2022) - "Os Sapatinhos Vermelhos", de Emeric Pressburger e Michael Powell, 1948 - A bailarina novata Victoria "Vicky" Page (Moira Shearer) cai nas graças do produtor Boris Lermontov (Anton Walbrook), que vê nela uma promessa de se tornar uma estrela do ballet. Ele encomenda uma versão musical do conto "Os Sapatinhos Vermelhos" para o jovem compositor Julian Craster (Marius Goring) para lançar a bailarina ao estrelato. O que Lermontov não esperava é que Vicky e Julian acabariam se apaixonando, colocando em perigo a dedicação da moça ao ballet.





Tendo como ponto de partida o conto de fadas homônimo de Hans Christian Andersen, o filme é um espetacular musical que discorre sobre as escolhas pessoais do artista, no caso representado pela bailarina Vick Page, que é obrigada a escolher entre o amor e sua arte. Na história, o exigente produtor Lermontov, encantado com o potencial revelado pela bailarina, aposta toda sua reputação no lançamento da novata. Rapidamente, sua escolha mostra-se acertada, pois a jovem, logo em seu primeiro espetáculo, já angaria elogios da crítica e do público. Mas o produtor é severo e espera que a moça tenha dedicação exclusiva ao ballet, abrindo mão de qualquer detalhe de sua vida pessoal por sua dança. Se, num primeiro momento, a bailarina corresponde aos anseios artísticos do produtor, revelando-lhe que viver e dançar, para ela, são equivalentes, logo isso sofre uma forte alteração, quando Vicky descobre o amor romântico pelo compositor Julian. Colocada contra a parede, a jovem terá de escolher entre seguir seus sonhos artísticos ou acompanhar o seu grande amor. A narrativa é linear, em um ritmo bem marcado. A atmosfera inicial é leve, evoluindo para um clima romântico e, posteriormente, ganhando cores cada vez mais dramáticas. Seguindo o conto de fadas, a obra desenvolverá contornos trágicos no seu terço final. Visualmente, o filme é impactante, pois de uma beleza ímpar. A fotografia aposta em cores muito saturadas, planos bem abertos e câmera predominantemente fixa, em especial nas apresentações de ballet, momentos em que assume uma condição quase teatral, como se estivéssemos na plateia do espetáculo. A direção de arte é grandiosa e bastante refinada. Os números de dança são fabulosos, capazes de encantar qualquer um que goste dessa arte. A música, composta por Brian Easdale, foi agraciada com o Oscar (1949) e o Globo de Ouro (1949) de Melhor Trilha Sonora Original. O elenco traz a carismática e graciosa Moira Shearer como Vick Page, uma personagem dedicada e apaixonada por sua arte e por seu amor; no papel de Julian Craster, Marius Goring, numa interpretação correta, mas sem muito brilho; como Boris Lermontov, Anton Walbrook, muito bem como o genioso, autoritário, mas tão apaixonado quanto Vick, produtor de ballet. O elenco ainda traz Robert Helpmann e Leonide Massine. O filme recebeu o Oscar (1949) de Melhor Direção de Arte, merecidamente. Uma obra-prima do cinema musical, merece ser visitada. Recomendo.

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