• hikafigueiredo

"Os Visitantes da Noite", de Marcel Carné, 1942

Filme do dia (178/2016) - "Os Visitantes da Noite", de Marcel Carné, 1942 - Na Idade Média, no castelo do Barão Hughes, celebra-se um casamento que está prestes a acontecer, o da filha do Barão, Anne, com o conde Renaud. Durante as festividades, chega ao castelo dois menestréis - Gilles e Dominique - que rapidamente são agregados à festa. Ocorre que os dois trovadores são, na verdade, enviados do diabo para causar intriga e discórdia entre os homens. O que nem o diabo poderia imaginar é que seus planos não sairiam como o imaginado.





Nesta história ambientada na época medieval, temos o velho embate entre o bem (o amor) e o mal (o diabo "em pessoa"). A leitura inocente, no entanto, esconde uma intenção que deve ter passada despercebida por 99% dos espectadores (por mim, inclusive) - a alusão ao nazismo e à situação da França à época do filme. Invadida desde 1940, a França encontrava-se sob o jugo de Hitler - no filme, o castelo tomado pelos enviados do "cramulhão" representa a França invadida e o demo, o próprio Hitler. A intenção foi tão sutil que conseguiu passar pela censura estabelecida pelos invasores e chegar ao público - que não deve ter feito essa referência coisa nenhuma. Independente da leitura que se faça, o filme é bem interessante e tem um tom de história trovadoresca que o torna realmente sedutor. Gostei bastante dos elementos "mágicos" que dão, à obra, um clima de realismo fantástico (principalmente quando o tinhoso começa a interceder). Não gostei muito da ambientação - a direção de arte me soou meio clichê, os cenários me pareceram muito arrumadinhos, limpinhos e "cheirosos", não tinham aparência medieval de verdade. A fotografia também não me seduziu, a achei meio "chapada", faltou volume, contraste. Melhores foram as atuações, com destaque para Arletty como a pérfida Dominique - a personagem segue, à risca, as determinações do "patrão", sem qualquer crise de consciência, ao contrário, ela sente prazer em criar a cizânia. Jules Berry também merece destaque como o diabo gentil, educado e falador. Marie Déa convence como a pura e apaixonada Anne. O filme é bem diferente e me seduziu. Curti e recomendo (mas atenção, o ritmo é pausado, lembra as cantigas trovadorescas).

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