• hikafigueiredo

"Ponette - À Espera de um Anjo", de Jacques Doillon, 1996

Filme do dia (128/2019) - "Ponette - À Espera de um Anjo", de Jacques Doillon, 1996 - A pequena Ponette (Victoire Thivisol), de apenas 4 anos, acaba de perder a mãe em um acidente de carro. Confrontada com a morte, a menina precisa enfrentar o luto e a incompreensão daqueles que a rodeiam.





O drama, doloroso, quase cruel, discorre sobre o luto na infância e sua superação. A protagonista, além de sofrer com a perda de sua mãe, ainda tem de conviver com a falta de empatia de todos ao seu redor, do pai incompreensivo aos primos e colegas maldosos, que a premiam, constantemente, com frases perversas e "brincadeiras" desumanas. Ponette é uma personagem trágica, concebida para explorar todos os meandros da dor do luto. Assumo que o filme e a personagem me levaram a uma reação dicotômica - se por um lado sofri com Ponette, desenvolvendo grande empatia pela menininha, por outro me irritei com a história, visivelmente manipuladora (a incompreensão generalizada me soou inverosímil, assim estabelecida apenas para torturar a personagem e o público). Além disso, achei parte da reação de Ponette, exagerada, isso porque extremamente diferente da minha experiência pessoal com o luto na infância (minha filha perdeu o pai com a mesma idade e reagiu de uma forma muito diversa daquela mostrada pela personagem). Sei que não podemos transformar uma experiência pessoal em regra, mas me pergunto se, em parte, a reação de Ponette não é a reação que um adulto espera de uma criança naquela situação, ou, em outras palavras, a visão de um adulto sobre uma vivência infantil. Por seu turno, a saída encontrada pela personagem para enfrentar a dor do luto me pareceu muitíssimo verdadeira e bastante condizente com uma criança nessa faixa etária: a fantasia. Ponette cria um mundo mágico ao seu redor que a auxilia a trabalhar a questão, exatamente como presenciei na minha vivência pessoal. Agora, independente de qualquer coisa relacionada à narrativa, o filme tem um trunfo imbatível: a interpretação da pequena Victoire Thivisol. A atriz mirim leva o filme nas costas e provavelmente a obra não teria quase nenhum reconhecimento não fosse o trabalho impressionante da garotinha. Não bastasse ser linda, uma bonequinha, Victoire é absolutamente natural em todas as cenas, mesmo as mais difíceis. Quando chora, parece que arranca nosso coração do peito. A menina é tão excepcional que levou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza com meros 5 ANOS DE IDADE !!!!! Enfim, o filme é bom, ainda que com um pezão no melodrama, mas vale mesmo pela lindinha da atriz Victoire. Recomendo.

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