• hikafigueiredo

"Romance a Três", de Blerta Zeqiri, 2017

Filme do dia (02/2020) - "Romance a Três", de Blerta Zeqiri, 2017 - Albânia. Bekim (Alban Ukaj) e Anita (Adriana Matoshi) vão se casar dentro de duas semanas, quando Nol (Genc Salihu), com quem Bekim teve uma relação amorosa secreta no passado, volta ao país decidido a reencontrar seu antigo amor.





Meu hábito de dar crédito a filmes obscuros de países exóticos já me fez conhecer algumas pérolas, mas, via de regra, eu me ferro bonito. E este é um exemplo do segundo caso. A obra discorre sobre um triângulo amoroso entre um casal heterossexual e o amante homossexual do rapaz. O argumento até poderia ter rendido uma boa história - tá aí "O Segredo de Brokeback Mountain" (2005) e "O Banquete de Casamento" (1993), ambos de Ang Lee, que não me deixam mentir -, mas, no caso, o roteiro fraquíssimo sai de nenhum lugar e chega a lugar algum. Talvez se o título nacional e a sinopse não tivessem revelado o rumo da narrativa, o roteiro pudesse ter alguma surpresa, mas, sabendo de antemão do que se tratava a história e considerando que não acontece NADA ao longo dos 1h37min de duração da obra, é para se perguntar qual era o objetivo da diretora. Aliás, desconfio que o filme foi arruinado pelos título e sinopse nacionais, já que o título original é "Marriage" (Casamento) e talvez a sinopse original não revelasse a natureza da relação entre Bekim e Nol logo de cara, uma vez que a narrativa vai pouco a pouco pontuando a relação dos dois amantes. É... talvez se for esse o caso, a obra não seja tão ruim... Mas, eu comecei a assistir ao filme sabendo que se tratava de um triângulo amoroso, logo, acabou que não sobrou nada para revelar da história... Restou a frustração de ter perdido tempo vendo "o nada" - pois nem conflito direito rola ao longo da história, exceto o desconforto de Nol com o casamento de Bekim... e pára por aí. Também achei tremendamente mal aproveitado o pano de fundo relacionado aos traumas de guerra advindos dos conflitos na Iugoslávia, que reverberaram fortemente na Albânia. Na história, os pais de Anita sumiram nos conflitos entre sérvios e albaneses e ela ainda buscava as ossadas dos pais para enterrá-los. Essa informação é jogada na narrativa e fica por isso mesmo, não é desenvolvida ao longo da obra, não é aproveitada para dar maior dramaticidade... não se sabe, enfim, a que veio. A diretora, também, optou por cortes secos, retomadas de cenas esquisitas, que lembram vagamente a linguagem jornalística, mas que aqui não cabem muito bem. As interpretações, por sua vez, não são excepcionais, mas, tampouco, influenciaram negativamente na obra. Ò... o filme deixou MUITO a desejar, difícil defender. Não recomendo não, podem procurar coisa melhor para assistir.

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