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  • hikafigueiredo

"RRR - Revolta, Rebelião, Revolução", de S. S. Rajamouli, 2022

Filme do dia (10/2023) - "RRR - Revolta, Rebelião, Revolução", de S. S. Rajamouli, 2022 - Numa Índia pré-independência, o camponês Bheem (N. T. Rama Rao Jr.) recebe a missão de trazer de volta para o lar uma menina de sua aldeia, sequestrada pelo Governador Scott Buxton (Ray Stevenson). Incógnito, ele fará amizade com Ram (Ram Charan), sem saber que ele é um policial disfarçado, cuja missão é impedir que alguém invada o palácio do governador para recuperar a menina.





Eu confesso que não sei nada do cinema indiano. Tirando a clássica Trilogia de Apu (1955-1959), de Satyajit Ray, e "Mãe Índia" (1957), de Mehboob Khan, não me lembro de outras obras a que tenha visto. Mas já vi, algumas dezenas de vezes, trechos de obras cinematográficas indianas, famosas por algumas esquisitices e por não abrirem mão de partes musicadas e dançadas, em qualquer gênero de obra. Pelo alvoroço que se formou em torno deste filme, inclusive por ter uma música indicada ao Oscar (2023), "Naatu Naatu", resolvi dar uma conferida e tenho de dizer que foi uma experiência bastante interessante. Eu, que tenho certa preferência por filmes sérios e introspectivos e alguma resistência a filmes de ação, tive medo sincero de detestar a obra, mas isso realmente não aconteceu, talvez por ser tão exagerado e tão fantasioso que foi quase uma viagem a Nárnia, algo sui generis! A obra abraça o gênero ação com todas as forças, mas, claro, deixa espaço para algum (melo)drama e algum musical - filme indiano sem música e dança non ecziste!!!! A questão maior é que é tudo muito over - se tem ação, vai ser a ação mais espetacular e sem precedentes possível; se vai ser dramático, tem que ser melodrama de primeira, daquele de cavar o coração com colher de plástico; não basta o vilão ser ruim - ah, não, ele tem de ser caricatural de tão perverso e odioso - e não pode haver herói se ele não for sobre-humano! Pois essa obra traz tudo isso de uma só vez: os heróis são quase semideuses, os vilões são os maios horrorosos, as cenas de ação, a despeito de serem estapafúrdias, são grandiosas, tudo, TUDO, é muito espalhafatoso e, de alguma forma que eu não sei explicar, nos envolve de uma maneira mágica - eu me vi torcendo em situações rocambolescas e completamente sem sentido, sem qualquer vergonha na cara. Antes que alguém diga que tudo é muito inverossímil (e é claro que é), onde está a verossimilhança de um Indiana Jones ou das obras do MCU??? O filme é para ser puro entretenimento e ele entrega isso com muito capricho e de quebra ainda tem um fundinho ali revolucionário e anticolonialista que para mim foi a cereja do bolo. Talvez o pessoal do Reino Unido fique um pouco magoado com a imagem deles no filme (e quem liga?) O mais incrível é que nem três horas e dezesseis minutos de filme - é filme que não acaba mais!!! - impedem o espectador de curtir a obra, que é muito divertida e absurda!!!! Alguns destaques: 1. Tem pelo menos uma cena de dança arrebatadora (a da festa), o espectador fica exausto só de olhar a energia do elenco!!!! 2. O filme deve ter uma dezena de efeitos especiais por cada segundo de história - são animais e mais animais por computação gráfica, pulos e vôos pelos ares em câmera lenta, lutas sangrentas também em câmera lenta, explosões de diversos tipos, desmoronamentos fantásticos, gente, tem de tudo o que o CGI pode ofertar, mas sem a sensação de veracidade de um "O Senhor dos Anéis" (2001-2003); ao contrário, parece que aquela sensação de ser tudo bem falso dá mais um tempero extra na diversão, uma sensação que me lembra o cinema trash. 3. As interpretações são propositalmente empertigadas, faaaalsas como nota de três reais, e eu tenho a sincera impressão que o povo indiano é daquele jeitinho mesmo, melodramáticos por natureza, como se todos fossem cancerianos... Mas que liga para interpretação quando quem está sem camisa é o ator Ram Charan ??? XD 4. Pesquisando um pouco sobre o filme, acabei descobrindo que ele não é produção de Bollywood, mas sim de outro núcleo cinematográfico da Índia, de uma região que não fala hindi, mas telugu, outro idioma do país. Enfim... o filme é para curtir, para deixar correr e não ficar questionando, não procurar profundidade, nem significados estranhos. São mais de três horas de pura diversão e fantasia, uma bobagem gostosa da qual não me arrependi. Recomendo para quem consegue se despir de preconceitos e do excesso de seriedade.

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