• hikafigueiredo

"Sangue Azul", de Lírio Ferreira, 2014

Filme do dia (83/2017) - "Sangue Azul", de Lírio Ferreira, 2014 - Um circo chega a Fernando de Noronha. Nele está Zolah (Daniel de Oliveira), o homem-bala do espetáculo, nascido na ilha e entregue a Kaleb (Paulo César Pereio), o dono do circo, aos dez anos, pela própria mãe. O jovem reencontra a mãe Rosa (Sandra Corveloni), a irmã Raquel (Carol Abras) e o amigo de infância Cangulo (Rômulo Braga), reavivando antigos afetos e desejos.





Ai ai... por onde começar? A ideia do filme é realmente ótima. O desenvolvimento da história é instigante, cria tensão, abre questões, levanta possibilidades, envolve o espectador e... acaba. Meeeeeu.... cadê o desfecho??? Okay, tem muita obra com final aberto, eu aceito bem isso. Mas o problema aqui (como no também desperdiçado "Mãe Só Há Uma", de Anna Muylaert) é abrir várias frentes, digamos, de tensão, e não desenvolver, nem resolver nenhuma delas. Acredito que manter o final aberto no assunto principal é válido, mas deixar todas as pontas soltas enfraquece demais a história e frustra o espectador. E é isso que acontece aqui, fiquei com a nítida impressão de estar faltando um pedaço do filme. Mas admito que, apesar do desfecho prematuro e precipitado, não tive nenhum sentimento de arrependimento por ter assistido ao filme - a experiência foi válida e posso dizer que, no geral, gostei da obra. De ponto positivo temos: um ótimo argumento, que prende o espectador; uma direção segura, que conduz bem a história; uma fotografia SENSACIONAL, que aproveita muito bem a beleza natural de Fernando de Noronha; uma trilha sonora excepcional (lembrando que, se eu reparei, é boa mesmo, porque eu sou meio surda para cinema); e um elenco maravilhoso, só com feras (ainda tem o Matheus Nachtergaele e o Milhem Cortaz, ambos ótimos como sempre). De ponto negativo: faltou juntar as pontas soltas em um corpo comum e dar um final decente. Olha, o filme tem mais méritos que deméritos. Quem não se importar com finais abertos pode arriscar.

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