• hikafigueiredo

"Sniper Americano", de Clint Eastwood, 2014

Filme do dia (83/2016) - "Sniper Americano", de Clint Eastwood, 2014 - Chris Kyle (Bradley Cooper) é um rapaz do interior do Texas que acredita no "sonho americano" e crê que os EUA são "o melhor país do mundo". Com essa visão, Chris se alista no exército, numa divisão de elite e torna-se um "sniper" (atirador de elite), sendo enviado ao Iraque, logo após seu casamento. Mas a guerra terá consequências que ele jamais poderia imaginar.





Baseado num livro que narra a vida do mais letal atirador do exército americano, o filme me trouxe algumas surpresas. Estava temerosa em assisti-lo, imaginei um filme ultra ufanista e belicista. Bom... o ufanismo certamente está lá, mas numa medida um pouco menor do que eu imaginei. Quanto à romantização e apoio à guerra, me enganei bastante. A obra é claramente anti-guerra, apesar de não discutir a questão dos EUA invadindo território alheio. As maiores críticas à inutilidade e imbecilidade da guerra, no entanto, não advém do personagem principal - não, este é nitidamente um convicto, que acredita ingênua e piamente que está na guerra para defender aqueles que ama de um mal maior - mas de sua esposa e de personagens secundários que, paulatinamente, acordam para a realidade. A crítica à guerra está, também, no estado emocional transtornado de Chris, pois, por mais que ele diga que está tudo bem, é evidente que o cara não mantém em bom estado a sua sanidade mental. Independente da ideologia tosca e ufanista, o filme até que é legal, justamente por mostrar como uma guerra pode destroçar uma pessoa sem ela sequer perceber. Não espere, ainda, discussão acerca de dilemas morais do personagem - ele não sofre dilemas morais, age como máquina, e dispara indistintamente sua arma contra "o inimigo", seja homem, mulher ou criança (um nojo). Também não se discute o inimigo - ele é profundo feito uma tábua e parece ser mero coadjuvante na história. Tecnicamente, o filme é extremamente bem feito, sem críticas negativas. Bradley Cooper está bastante bem no papel, sua cara de obtuso fanático é perfeitamente convincente (ele está meio esquisito no filme, parece inchado, acho que o encheram de anabolizantes para ficar musculoso). A obra é melhor do que eu supunha e vale a pena a visita.

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