• hikafigueiredo

"Sob o Céu do Líbano", de Randa Chahal Sabag, 2003

Filme do dia (255/2017) - "Sob o Céu do Líbano", de Randa Chahal Sabag, 2003 - Lamia (Flavia Bechara), de quinze anos, vive em uma pequena aldeia na fronteira entre o Líbano e Israel. Sua família a obriga a se casar com Samy, um primo que vive do outro lado da fronteira, em terras israelenses. Mas a jovem só tem olhos para Youssef (Maher Bsaibes), um soldado do exército de Israel, considerado "inimigo".





Reproduzindo, em parte, a história de Romeu e Julieta, a história mostra os impedimentos à relação do casal advindos da disputa entre árabes e judeus. Mas, diferente da história de Shakespeare, aqui não há espaço para um encontro real, e muito menos para qualquer intimidade entre os dois jovens. Uma vez que o real é sério impeditivo para a consumação do amor do casal, resta somente a fantasia, ocasião em que o filme resvala para uma solução com ares de realismo fantástico. Pois é justamente o desfecho surreal que faz do filme uma obra incomum e interessante. O filme, ainda, tem todo um tom de desespero - não que essa ansiedade apareça na tela, na narrativa, é mais uma sensação de urgência, uma agonia, algo que está interno aos apaixonados Lamia e Youssef e que o espectador pressente. Apesar de ter achado o filme bonitinho, acho que ele poderia ter explorado melhor o potencial que tinha. Também acho que algumas passagens e alguns personagens poderiam ter sido melhor desenvolvidos e explorados, como a personagem Jamile e a súbita incorporação de mais um pedaço da aldeia às terras de Israel (isso foi mostrado, mas não rendeu qualquer consequência posterior, ficou meio "a que veio?" no final das contas). O tom sério e circunspecto da obra não impede algumas passagens cômicas, principalmente através das mulheres mais velhas da família de Lamia e Samy. Como já comentei, o roteiro tem algumas pontas soltas, mas não chega a atrapalhar a história. A parte técnica está a contento, com destaque para a trilha sonora interessante com músicas regionais. Não gostei da fotografia - achei meio "lavada", com excesso de "claridade" e sem contraste, merecia mais cuidado. As interpretações não me impressionaram, mas admito que Flavia Bechara é extremamente expressiva, além de muito bonita, uma beleza fora de padrão. Gostei, mas recomendo só para quem curte filmes estrangeiros, porque o ritmo está longe de ser o norte-americano. PS - a obra dialoga com o ótimo "Além da Fronteira", filme onde o amor proibido ocorre entre um palestino e um israelense, e, ainda, com o razoável "Os Árabes Também Dançam", cuja paixão envolve um árabe e uma israelense. Para mim, o melhor é o "Além da Fronteira".

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