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  • hikafigueiredo

"Tiranossauro", de Paddy Considine, 2011

Filme do dia (18/2021) - "Tiranossauro", de Paddy Considine, 2011 - Joseph (Peter Mullan) é um viúvo alcoólatra, desempregado e atormentado. Ele conhece Hannah (Olivia Colman), uma mulher religiosa que faz um trabalho voluntário em uma loja de caridade cristã. Apesar das diferenças, eles acabam se aproximando e fazendo amizade.





Gente... que filme pesado! Ótimo, mas pesado demais! A obra trata-se da amizade entre duas pessoas atormentadas, solitárias e que levam vidas miseráveis que encontram algum apoio e aconchego uma na outra. Não é um filme fácil, inclusive é angustiante tentar aprofundar mais os significados da obra, porque trata-se de uma realidade endurecida, uma vida "desgracenta", que ambos levam e que não apresenta qualquer saída razoável. A construção da personalidade dos dois personagens principais é algo que merece destaque, principalmente no que tange ao personagem Joseph. Logo na primeira cena, ele mata seu próprio cachorro num acesso de fúria. Mas, por mais que isso tenha me revoltado e feito com que eu odiasse o personagem, também despertou profunda angústia e piedade, pois, Joseph demonstra que nada poderia fazê-lo sofrer mais que a perda do cão, seu companheiro - assim, acompanhamos o sofrimento e o arrependimento sincero de Joseph que leva seu cão para casa e, com todos os cuidados, enterra o animal como a um ente querido. E tudo no personagem segue essa linha de autodestruição e auto sabotagem involuntária, todos os seus erros acabam retornando para ele próprio. A personagem Hannah não fica muito atrás e, sob uma aparente vida confortável, existe uma existência sofrida junto a um marido abusivo e extremamente violento e cruel. Juntos, Joseph e Hannah acabam sendo esteios para suportar suas vidas. A narrativa é linear, o ritmo é bem marcado e a atmosfera transita entre a tensão e a melancolia. Eu destacaria dois pontos do filme: a trilha sonora gostosinha e as interpretações viscerais de Peter Mullan e Olivia Colman, ambos maravilhosos. O filme é ótimo, desde que o espectador não se importe em ficar com um gosto amargo na boca e um peso no peito pela próximas horas. Recomendo, mas não para pessoas sensíveis demais ou que já estejam meio depressivas.

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