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  • hikafigueiredo

"Uma Jovem Tão Bela Como Eu", de François Truffaut, 1972

Filme do dia (147/2022) - "Uma Jovem Tão Bela Como Eu", de François Truffaut, 1972 - Um professor de sociologia, Stanislas Prévine (André Dussollier), resolve fazer um livro sobre mulheres criminosas e escolhe, como seu primeiro objeto, a presidiária Camille Bliss (Bernardette Lafont). Ao longo de alguns dias, o professor entrevista a criminosa e, pouco a pouco, vai sendo seduzido por ela.





Esse curioso filme do diretor, baseado no livro homônimo de Henry Farrell, vai retratar todo o processo de sedução do correto e tímido professor Stanislas pela manipuladora Camille. Ao longo da narrativa, a jovem relata passagens de seu passado, deixando evidente seu poder de manipulação sobre os homens, mas isso, surpreendentemente, ao invés de afastar o professor, apenas o fascina e, lentamente, também ele é seduzido e manipulado por Camille. No seu histórico, a criminosa revela inúmeros homens que foram seduzidos por ela e que foram descartados assim que deixaram de serem interessantes à jovem. A narrativa, quase sempre em tom cômico, jocoso, apresenta Camille como uma clara psicopata - ela não sente remorsos, ela usa indistintamente as pessoas, ela não tem qualquer empatia e, ao mesmo tempo, tem a incrível capacidade de seduzir seus interlocutores - e por seduzir, estou dizendo não apenas sexualmente, mas, também afetivamente, pois a graciosa jovem acaba fazendo com que vários homens se apaixonem por ela. Enquanto Camille é mostrada como uma mulher de personalidade forte, teimosa, esperta, os homens por ela seduzidos são, quase todos, fracos e desajeitados. A narrativa alterna, constantemente, presente e passado, o último na forma de reminiscências de Camille. O ritmo é ágil e, em determinados momentos, ganha contornos de "comédias de erros". A atmosfera é leve, mesmo quando o assunto não se identificaria com qualquer leveza. A fotografia tem aquela cor esmaecida tão comum nos filmes da década de 70 e apoia-se, principalmente, em planos médios ou próximos. O elenco, relativamente extenso, traz Bernardette Lafont como Camille - a atriz tem uma graça natural impressionante e, mesmo com a personagem mostrando-se uma víbora, é difícil não se sentir seduzido por seu jeito, total mérito da atriz; André Dussollier interpreta o professor Stanislas, um personagem patético de tão ingênuo e desengonçado, talvez um pouco excessivo; Charles Denner, numa interpretação muito inspirada, assume o personagem Arthur, um homem religioso, ético e apaixonado por Camille; Philippe Léotard interpreta Clovis, o marido panaca de Camille; no elenco, ainda, Guy Marchand, Claude Brasseur, Danièle Girard e Anne Kreis. Longe dos melhores filmes do diretor, a obra mostra-se irregular, com passagens melhores e piores, assim como os personagens, igualmente irregulares. Para mim, os melhores trechos foram os que envolveram o personagem Arthur, a figura com maior apelo cômico da história. Não chega a ser ruim, mas também não me encantou. Prefiro outros filmes de Truffaut.

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