• hikafigueiredo

"Ódio que Mata", de John Brahm, 1944

Filme do dia (156/2021) - "Ódio que Mata", de John Brahm, 1944 - Londres, 1888. Um homem discreto e retraído de nome Slade (Laird Cregar) aluga um quarto na residência da família Bonting e seu estranho comportamento acende as suspeitas da senhoria de que ele se trata de Jack, o Estripador.





Nesse ótimo suspense temos uma brincadeira com a identidade do famoso serial killer Jack, o Estripador, personagem da vida real cuja identidade jamais foi desvendada. Na história, o hábitos notívagos e o comportamento inusual do inquilino chamam a atenção da senhoria Ellen, que passa a observá-lo com interesse. As vítimas frequentes do assassino - atrizes e cantoras - tornam a suspeita ainda mais assustadora, tendo em vista que, sob o teto da família, morava também a sobrinha Kitty, uma estrela de teatro em ascensão. A narrativa é linear e conduz, com habilidade, a suspeita acerca do personagem Slade. O ritmo é moderado e crescente até o clímax, já perto do final. A atmosfera é sombria e tensa, daquelas que nos fazem reter a respiração por alguns segundos em algumas cenas. A ambientação da Londres do século XIX é simplesmente perfeita e colabora muito, com suas vias escuras e enevoadas, para o clima de suspense e tensão do filme. A fotografia P&B é bastante contrastada e a câmera é surpreendentemente ativa para a época, com inúmeros travellings e panorâmicas de todos os tipos. Além disso, a obra conta com enquadramentos diferentes e sofisticados, vários plongées e contra-plongées, muitos planos detalhes e alguns planos abertos, numa variação rara para um filme da década de 40. A direção de arte de época é caprichada, em especial no que tange ao figurino e aos cenários. Toda a estética do filme tem ecos do expressionismo, inclusive em algumas interpretações. No elenco, os destaques ficam por conta de Merle Oberon como a atriz Kitty Langley e Laird Cregar como Sr. Slade. - a última cena do personagem me impressionou muito pela expressão e pelo olhar do ator. O filme é ótimo, fiquei super envolvida pela história e bastante impressionada com a qualidade técnica do filme. Recomendo muito!

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