• hikafigueiredo

"127 Horas", de Danny Boyle, 2010

Filme do dia (337/2020) - "127 Horas", de Danny Boyle, 2010 - Aron Ralston (James Franco) é um experiente praticante de esportes de aventura que, certo dia, se dirige aos cânions de Utah e acaba sofrendo um acidente - uma pedra se solta e prensa seu braço contra a rocha em um local remoto do parque. Preso no fundo do cânion, ele fará de tudo para sobreviver.





O filme narra a história verídica do aventureiro Aron Ralston que, apesar de experiente, descumpriu a regra número 1 de qualquer praticante de esportes de aventura - avisar alguém do local para onde ia e quando voltaria (básico, hein, criatura!!!). Devido à "pequena" displicência, Aron sabe que ninguém o buscará ali e que só poderá contar consigo próprio para sobreviver. A obra fala sobre instinto de sobrevivência, tenacidade e do que as pessoas são capazes de fazer para se manterem vivas. O filme poderia ser chatíssimo - afinal, boa parte da obra se passa no fundo de um cânion, com Aron preso a uma pedra -, mas até que Danny Boyle conseguiu criar boas alternativas para dar algum "movimento" à história através das memórias, dos devaneios e das alucinações do personagem. O começo da obra é bem leve, diria até gostoso, com as cenas em que Aron guia duas moças pelo parque, revelando os segredos do local - deu até vontade de estar lá. Quando ocorre o acidente, a obra torna-se pesada, sombria e extremamente angustiante. Já aviso aos navegantes que existem cenas horripilantes que não serão minimamente palatáveis a quem, como eu, sofre com a dor alheia (quem conhece o desfecho pode imaginar do que eu estou falando) - aliás, a cena ápice do filme, para mim, quase coloca a obra toda a perder; eu a acho desnecessária e por demais apelativa, só agradando fãs de filmes "gore". A narrativa é não-linear e mescla o tempo presente com lembranças do passado e muitas alucinações do personagem. O ritmo é menos lento do que se poderia imaginar, muito por conta das soluções encontradas pelo diretor para contar sua história. Gosto do início do filme, em que o diretor contrapõe o ritmo alucinado da cidade com a calma e o silêncio do parque, dando a entender que Aron fugia da agitação para um local mais pacato e intimista. As locações utilizadas são maravilhosas e impressionantes - o lugar é belíssimo e isso foi muito bem aproveitado pela fotografia, que contrasta o vermelho da terra com o azul intenso do céu, num colorido muito saturado. A trilha sonora tem boas passagens, é bem adequada, mas não saberia citar nomes. James Franco está bastante bem, muito melhor do que seu habitual (já que não o vejo como grande ator dramático) - ele combina muito com a despojada imagem inicial de praticante de esportes de aventura e, posteriormente, consegue dar forma ao desespero do personagem (tanto que concorreu ao Oscar de Melhor Ator naquele ano, o que eu achei um pouco de exagero). O filme é antes de tudo angustiante e muito aflitivo, é bom o eventual espectador ter isso em mente. A obra concorreu ao Oscar de Melhor Filme, outro exagero na minha opinião, ainda que eu goste do resultado. Para quem, como eu, curte essas paradas de esporte de aventura, natureza, etc, é uma obra válida, ainda que eu não recomenda para geral. Use e abuse de seu bom senso.

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