• hikafigueiredo

"1492 - A Conquista do Paraíso", de Ridley Scott, 1992

Filme do dia (320/2020) - "1492 - A Conquista do Paraíso", de Ridley Scott, 1992 - Espanha, década de 1490. Cristovão Colombo é um navegador genovês decidido a partir em viagem pelos mares a oeste da Europa por acreditar ser possível chegar às Índias por uma nova rota. Sai, então, em busca de apoio da Coroa Espanhola, enfrentando forças contrárias que tentam impedi-lo de conquistar seus sonhos.





Talvez em comemoração aos 500 anos das navegações espanholas, o filme foi, evidentemente, realizado para enaltecer a figura de Cristovão Colombo, quase transformado em santo na obra. Acompanhando cerca de vinte anos da vida do navegador, o filme retrata a ascensão, queda e restabelecimento de Cristovão Colombo na sociedade espanhola de então. Retratado como sonhador, determinado e destemido - o que eu acredito que fosse, caso contrário não se lançaria às cegas como fez - , também foi mostrado como questionador, quase revolucionário, e extremamente justo, o que eu duvido muito que fosse, afinal era um conquistador financiado pela coroa espanhola, um reino cristão em plena Inquisição, incabível que tivesse uma personalidade assim tão progressista. Ainda que a obra mostre fielmente os acontecimentos históricos, a condução da narrativa de forma a enaltecer o personagem me incomodou o suficiente para quase desgostar do filme. A obra tem alguns pontos positivos que merecem destaque: a fotografia belíssima; a direção de arte de época caprichada e exuberante; a ótima trilha sonora criada por Vangelis, com uma pegada meio Carmina Burana; e a interpretação esmerada de Gerard Depardieu (ator que eu sempre gosto muito) fazem com que o filme seja grandioso. Mas, talvez numa percepção muito pessoal, eu sinto que falta alma na obra - a paixão que o personagem demonstra na história escapa ao filme, que me pareceu extremamente protocolar. Admito que tiveram passagens que tive de lutar contra o sono - e, vamos combinar, não era para acontecer isso, o filme TINHA de transmitir ao espectador a paixão do navegador e a tensão de se lançar em uma aventura com resultado imprevisível. Eu diria, enfim, que o filme foi uma ótima ideia, produzida com requinte técnico e cuja execução final deixou a desejar, pois desprovida de real emoção. Quem quiser ver um filme vistoso, pode aproveitar a obra, mas eu não vou recomendar não.

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