• hikafigueiredo

"15 Anos e Meio", de Thomas Sorriaux e François Desagnat, 2008

Filme do dia (334/2020) - "15 Anos e Meio", de Thomas Sorriaux e François Desagnat, 2008 - Philippe Le Tallec (Daniel Auteuil) é um pesquisador francês radicado nos EUA há muitos anos que precisa retornar à França para passar três meses cuidando da filha adolescente enquanto sua ex-esposa viaja a trabalho. Sem muito contato com a garota, Philippe terá de aprender a conviver com a garota e as questões da adolescência.





O filme trata, basicamente, do choque de gerações, do abandono paterno e da tentativa do protagonista em recuperar os anos de contato com a filha perdidos. Como a obra é uma comédia, a questão do abandono paterno é bastante suavizada e Philippe aparece como um sujeito boa praça que estava extremamente envolvido com seu trabalho e sua pesquisa e não como o ex-marido e pai ausente, egoísta e autocentrado que no fundo seria a realidade - é curioso como os filmes sempre "passam o pano" para a figura do homem que abandona a família para cuidar de seus próprios interesses; não me lembro de algum filme em que o mesmo tenha sido feito com uma mulher... então, o nome disso é machismo estrutural, okay? Voltando ao filme, Philippe retorna à França crente de que sua filha irá adorar sua presença e idolatrá-lo como a filha criancinha que deixou para trás, mas a realidade é bem outra - sua filha Eglantine, adolescente, já tem seus próprios problemas e questões e seu pai não está entre eles. A decepção e o choque de se descobrir "dispensável" fazem com que Philippe queira, a todo custo ser aceito pela filha e acaba colocando os pés pelas mãos em muitas situações. A narrativa é linear, com algumas cenas de "devaneios" do pai, o ritmo é bem marcado e a atmosfera é bem leve e gostosa.A aproximação dos personagens se dá de maneira gradual, mas, no final, achei que as coisas aconteceram um pouco mais rápido do que deveriam - o que não chega a estragar a história. A questão do choque de gerações é mostrada de uma maneira um pouco exagerada e, provavelmente por tratar-se de uma comédia, tanto os adolescentes, quanto os adultos são mostrados como perfeitos idiotas em algumas situações. No elenco, o "Dárin francês", Daniel Auteuil, está bem na maior parte das cenas, ainda que, em algumas, eles esteja um pouco exagerado (nenhum pai é tão panaca... ou será que é? rs). No papel de Églantine, Juliette Lamboley, ótima em sua interpretação. Destaque para François Damiens como o cunhado de Philippe e "coach" de relacionamento entre pai e filhos, a figura mais engraçada do elenco, na minha opinião. O filme é bobinho, mas simpático. Não é obra para gargalhar, mas dá para sorrir com ela. Bom para alguns pais ausentes assistirem - quem sabe coloca esses pais para pensar, né?

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