• hikafigueiredo

"A Baía dos Anjos", de Jacques Remy, 1962

Filme do dia (299/2021) - "A Baía dos Anjos", de Jacques Remy, 1962 - O bancário Jean (Claude Mann) é levado a um cassino pelo colega Caron (Paul Guers), onde ganha uma grande soma de dinheiro. Numa segunda incursão a um cassino, ele conhece Jackie (Jeanne Moreau), uma viciada em jogo por quem se apaixona.





Filmaço. Uma obra que envereda pela angústia do vício, apresentando um certo paralelo entre esse e a paixão vivenciada por Jean. De um lado a adicta Jackie, cujo o vício em jogo lhe arrancou toda a existência - marido, amigos e filho; de outro, Jean, que se larga no jogo apenas para acompanhar a mulher por quem está apaixonado. Em comum, a necessidade de algo que lhes é externo: jogo para Jackie, Jackie para Jean. A obra é simplesmente impecável! A forma como o vício é apresentado - qualquer deles - é um tanto angustiante, principalmente quando escutamos a forma como Jackie se despojou de tudo o mais que lhe havia na vida - tirem-me tudo, menos o jogo - e como, para ela, o jogo era um fim em si, uma crença, uma religião. Jean, por sua vez, abandona tudo por amor e, ainda que transite entre as mesas da roleta, não está lá pelo jogo. A narrativa é linear, num ritmo moderado. O roteiro é perfeito ao mostrar os altos e baixos da adicção: a euforia por ganhar, ainda que dinheiro não seja o objetivo precípuo; a depressão por perder e não ter mais dinheiro para tornar à mesa de jogo. Tanto a euforia, quanto a angústia são palpáveis, muito bem apresentadas e exploradas pela narrativa. A fotografia P&B suave contrasta com a montanha-russa emocional. Os planos são bastante convencionais, não há grande inovação na linguagem utilizada. A trilha sonora, dramática, resume-se a um piano que beira a histeria (e que, admito, me incomodou desde a entrada dos créditos iniciais). Amei a direção de arte desta obra - como o luxo e seu contraponto, a quase miséria, são apresentados, com destaque para o figurino ultra sofisticado da personagem Jackie. O elenco principal é composto por Claude Mann e Jeanne Moreau. Claude interpreta Jean, um rapaz romântico, que se encaminha para os cassinos apenas por insistência do colega. Ainda que jogue, não tem esse vício. Sua perdição é Jackie. E aí chegamos em Jeanne Moreau. O filme É Jeanne Moreau!!! A atriz está monstruosa como Jackie - a personagem transita livremente entre ser arrebatadora e desprezível a um só tempo! Jackie brilha, mas, carrega consigo, uma aura pesada e a atriz transmite isso com tal sedução que nenhum espectador sai ileso a ela!!!! Um dos filmes da Nouvelle Vague que mais me impressionou, fiquei extasiada por ele! Recomendo demais!!!! Babem, como eu, por Jeanne Moreau!!!!

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