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  • hikafigueiredo

“A Bruxa de Blair”, de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, 1999

Filme do dia (85/2023) – “A Bruxa de Blair”, de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, 1999 – Três estudantes de cinema – Heather (Heather Donahue), Mike (Michael C. Wiliams) e Joshua (Joshua Leonard) - viajam para uma região distante de Maryland para realizar um documentário sobre a lendária bruxa de Blair. No entanto, perdem-se na floresta e passam a viver um terrível pesadelo.





Para mim, este é um dos filmes de terror mais injustiçados pelo público em muitos e muitos anos. Não que ele não tenha problemas – ele tem e não são poucos -, mas ele também foi o filme responsável por revitalizar todo um gênero – o found footage - que, surgido em 1980 com “Holocausto Canibal”, ganhou fama justamente por conta de “A Bruxa de Blair”. O found footage é aquele tipo de filme que simula um documentário, com câmera na mão e uma suposta improvisação, e que gerou obras como “Atividade Paranormal” (2007), “REC” (2007) e “Cloverfield” (2008) e, mais recentemente (com algumas modificações), “Buscando...” (2018) e “Host”(2020). Não bastasse isso, o filme contou com uma estratégia de marketing brilhante, que fez com que muita gente acreditasse que aquelas imagens e história fossem reais, tornando o filme exponencialmente mais assustador. A história retrata três estudantes de cinema que se embrenham em uma floresta para fazer um documentário sobre a mítica bruxa de Blair, mas que acabam se perdendo e passam a vivenciar uma experiência aterrorizante. O roteiro tem falhas, conta com muita improvisação dos atores, mas tem o mérito (na minha opinião), de lidar com imaginário do espectador – o filme não mostra praticamente nada, mas atiça a imaginação do público que, dependendo, inclusive, de sua criatividade e experiências pessoais, pode experimentar algo bastante impressionante e assustador. Eu, particularmente, que já fiz muito camping selvagem, consegui me transpor para aquela experiência e, sinceramente, consegui imaginar um gigantesco pesadelo!!!! Mas entendo que a história não atinja alguém que, por exemplo, jamais dormiu em uma barraca ou se embrenhou para fazer uma trilha na mata. De qualquer forma, a criatividade dos diretores – que, inclusive, fizeram um trabalho de imersão dos atores, de modo que eles viveram seus personagens durante 24 horas pelos oito dias de filmagens, sendo privados de sono e sob tensão, por não saberem bem ao certo o que aconteceria na cena seguinte -, tanto pelo formato found footage, quanto pela estratégia de marketing, não pode ser simplesmente ignorada. Os problemas da obra: o roteiro em si é tão simples que chega a ser infantil, mas isso, na minha opinião, não atenta contra o filme em si, pois entra como uma limitação dos próprios supostos estudantes; a fotografia e o som de baixa qualidade seguem a mesma lógica – como convencer que aquilo tivesse sido real se contasse com um belíssimo tratamento de imagem e som? Mas, o que para mim é o calcanhar de Aquiles, é a interpretação dos atores, em especial de Heather Donahue, a pior do trio, mas, também, de quem é exigido mais, por ser a personagem mais proativa e quem decidia as próximas ações. Ela é ruinzinha, mas não tanto a ponto de ter tornado óbvio que se tratava de uma ficção – ela e os demais atores conseguiram convencer muita gente de que aquilo era real. Eu confesso que gosto do filme, pois consigo me transportar para aquela experiência e, no caso, isso funciona muito bem como filme de terror (depois do filme, nunca mais me senti segura dentro de uma barraca... kkkkkk), sentindo que ele mexe demais com medos muito primitivos. Eu curto e recomendo com ressalvas (a experiência cinematográfica depende mais do espectador do que do filme em si).

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