• hikafigueiredo

"A Décima Vítima", de Elio Petri, 1965

Filme do dia (73/2022) - "A Décima Vítima", de Elio Petri, 1965 - Em um futuro, guerras e criminalidade são evitados através de caçadas humanas. Nelas, os interessados têm a chance de por em prática seus instintos assassinos e enriquecer, alternando-se, como caçador e vítima, em uma série de dez turnos. Neste panorama, Marcello Poletti (Marcello Mastroianni) e Caroline Meredith (Ursula Andress) aceitam o desafio e envolvem-se em um jogo de gato e rato para ver quem sairá vencedor - e vivo.





Seguindo uma lógica semelhante ao recém-visto "Corrida da Morte: Ano 2000" (1975), neste filme também temos indivíduos com autorização para matar seus semelhantes sem serem julgados por sua conduta. Aqui, ao menos, a suposta vítima encontra-se de acordo em ser caçada e tem, por seu turno, a mesma liberdade para tentar dar cabo de seu perseguidor. A obra mescla doses bastante equilibradas de ficção científica e comédia de humor ácido e, claro, um toque de romance. Com um ritmo marcado, o filme acompanha os estratagemas promovidos pelos personagens no intuito de acabar com sua presa ou seu predador. Claro que, sendo filme de Elio Petri, um diretor engajado cujas obras trazem sempre alguma marcante opinião política, temos uma evidente crítica social que ressalta a mercantilização da vida humana, a espetacularização da violência, a influência do marketing na sociedade, a banalização da morte, a desumanização das pessoas, a desagregação familiar, a falência do casamento, dentre outros pontos, sempre com um tom meio debochado. A narrativa é inteiramente linear, trazendo uma atmosfera divertidamente irônica e tensa, já que não sabemos quem sairá vencedor na sangrenta disputa. O roteiro desenvolve-se bem e é bem amarrado, com algumas poucas falhas no finalzinho que não comprometem a qualidade da obra. Achei engraçada a estética da obra - os figurinos futuristas completamente influenciados pelos espírito setentista que se avizinhava são bem bizarros. A fotografia não nega a época em que foi realizado o filme e tem aquelas aproximações rápidas tão comuns naquele tempo (e que eu sempre detestei), bem como aquela aparência "lavada", sem contraste, saturação e nuances. O elenco traz, em destaque, o sempre ótimo Marcello Mastroianni, com todo seu charme e talento, como Marcello Poletti, um participante sedutor e com muito jogo de cintura, e Ursula Andress como Caroline Meredith, uma oponente ousada, confiante e criativa. Destaque para a cena da propaganda do "Chá Ming" - ótima!!! A obra é bem diferente e muito melhor do que se poderia supor pela sinopse, muito por conta do talento do trio Petri, Mastroianni e Andress. Eu gostei e recomendo.

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