• hikafigueiredo

"A Família Flynn", de Paul Weitz, 2012

Filme do dia (44/2018) - "A Família Flynn", de Paul Weitz, 2012 - Nick (Paul Dano) é um jovem aspirante a escritor, abandonado pelo pai quando ainda era uma criança. Perdido na vida, aceita trabalhar em um abrigo para moradores de rua na esperança de achar algum sentido para a sua existência. Um dia, após 18 anos de ausência, Nick encontra, na fila do abrigo, seu pai Jonathan (Robert De Niro).





Baseado nas memórias do escritor Nick Flynn, o filme trata, basicamente, das relações familiares, da construção (e, por vezes, dissolução) dos afetos, de condutas autodestrutivas, de autoestima e de aspirações. A vida de Nick pode ser considerada um agregado de tragédias familiares - abandonado pelo pai, que, posteriormente, foi preso, criado com dificuldade pela mãe que, um dia, acabou se suicidando, Nick é, praticamente, um sobrevivente. Como seria de se esperar com esse histórico, o interior de Nick reflete toda essa bagunça exterior e ele vive na inércia, sem objetivos ou metas. Com baixa autoestima, Nick tem comportamentos autodestrutivos e problemas com álcool e drogas. A chegada do pai, se por um lado reforça uma carga negativa prévia, por outro cria, em Nick, a necessidade de se diferenciar daquele genitor caótico, agressivo e cheio de preconceitos. Apesar do filme levar a narrativa com alguma leveza, a história, no fundo, é beeeeem pesada (na mão de diretor europeu, acho que a obra teria virado um chute no estômago). A descrição do abrigo e de seu "odor" característico é perfeita (só quem já entrou num abrigo desses sabe o cheiro que eles têm). A narrativa é, majoritariamente, cronológica, com inserções de alguns flashback de Nick (ocasião em que a figura materna de Nick, Jody, é o ponto central). Tecnicamente, o filme é padrão, sem grandes destaques. O forte da obra fica por conta das interpretações - Robert De Niro está excelente como o quase asqueroso Jonathan, homem racista, homofóbico, agressivo, arrogante e insensível, mas que, por vezes, desperta a piedade do espectador (e do próprio Nick); Julianne Moore interpreta Jody, e, à despeito de seu talento, é bem pouco aproveitada no filme; Paul Dano, por sua vez, dá vida ao sofrido e conturbado Nick - acho Paul Dano um dos atores mais subaproveitados e injustiçados dos EUA, pois ele é fantástico, super versátil e continua eternamente como coadjuvante, até aqui, onde ele é o protagonista principal, seu nome vem depois do De Niro nos créditos, uma sacanagem. O filme é bem legal e desperta alguns questionamentos, uma pena não ter recebido a devida atenção. Podem assisti-lo sem medo.

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