• hikafigueiredo

"A Felicidade dos Katakuris", de Takashi Miike, 2001

Filme do dia (263/2021) - "A Felicidade dos Katakuris", de Takashi Miike, 2001 - Ao receber a notícia de que uma estrada será aberta em um local afastado e ermo, um homem convence sua família a abrir uma pousada na região. A estrada atrasa, os hóspedes não chegam e quando o desespero começa a bater à porta da família, aparece o primeiro cliente - que se suicida logo na primeira noite de hospedagem no hotel, deixando a família em uma delicada situação.





Oh, lord! kkkkkkk A gente acha que já viu de tudo, mas sempre aparece um filme para nos surpreender! Do mesmo diretor do magnífico "Audição" (1999), a obra consegue ser um verdadeiro pout-pourri de gêneros, misturando - acredite se quiser - terror, comédia, drama, animação e ... musical!!! E por mais que a mistura seja improvável, o resultado é bastante satisfatório, ainda que não deixe de ser esquisitíssimo. A história discorre sobre uma família unida na mesma medida em que vive envolta pela discórdia - o pai, desempregado, convence sua esposa, seu pai e seus filhos a irem para uma localidade distante de tudo e abrirem uma pousada ante à promessa da abertura de uma rodovia na região. Ocorre que a estrada não é entregue e a família fica com um "elefante branco" nas mãos. Após meses de espera, surge finalmente um hóspede, o qual se suicida na mesma noite de chegada. A família, apavorada de que a pousada fique "marcada", opta por esconder o cadáver e não revelar nada às autoridades, abrindo um grave precedente. Nem precisava dizer, mas é óbvio que o gênero que prevalece é a comédia de humor ácido, que brinca com situações que, originalmente, seriam sérias e terríveis - e é nessa conjuntura que irão se agregar os demais gêneros: um drama leve, um terror irônico e cenas bizarríssimas de musical, com evidente objetivo cômico. A tudo isso agregam-se pequenas cenas de animação em stop-motion - afinal não estava tudo suficientemente "exótico". A narrativa é prioritariamente linear, contando com a intervenção pontual de uma narração em off, que parte da netinha da família, uma menina de seus seis anos. O ritmo é bem marcado e crescente, e a atmosfera é de tensão (mas ao mesmo tempo é cômica... só assistindo ao filme mesmo para entender!). A obra é marcadamente exagerada e inverossímil, com um toque muito kitsch, aproximando-a dos filmes trash. Tecnicamente é uma obra bem feitinha, apesar de contar como uma fotografia um pouco irregular - há cenas em que a fotografia ganha uns tons meio azulados que, pela ausência de função na obra, me pareceram não intencionais (ou eu não captei qual era o objetivo). A trilha sonora é marcada pelas músicas dos números musicais - estes, inclusive, são primários, propositalmente rudimentares, parecendo apresentação de escola. Como era de se imaginar, as interpretações são exageradas e pouco naturalistas - até mesmo as reações dos personagens são improváveis. Eu destacaria as interpretações de Shinji Takeda como o filho Masayuki e de Tetsuro Tamba como o bisavô - provavelmente o destaque advém do fato destes serem os personagens mais interessantes. No elenco, ainda, Keiko Matsuzaka como a mãe Terue, Kenji Sawada como o pai Masao, Naomi Nishida como a filha Shizue e Kiyoshiro Imawano como Richard. Gente... sério... foi um dos filmes mais esquisitinhos que eu já vi na vida, mas que me divertiu à beça. É tão tosco que é bom!!! Para quem quiser ter uma experiência inusual, recomendo!

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