• hikafigueiredo

"A Forma da Água", de Guillermo del Toro, 2017

Filme do dia (46/2018) - "A Forma da Água", de Guillermo del Toro, 2017 - EUA, 1960 - Elisa (Sally Hawkins) é muda e trabalha como faxineira em um laboratório do governo norte-americano. Certo dia, Elisa presencia a chegada, como objeto de estudo, de uma criatura - meio humana, meio anfíbio - ao laboratório. O contato com a criatura mudará para sempre a vida de Elisa.





Meu Deus!!!! Que filme!!! Nessa delicadíssima fábula moderna temos tantos temas a serem discutidos, tantas facetas, a história é tão rica, eu fiquei encantada!!! O cerne aqui é a solidão, o "ser diferente", a empatia e o encontro - tanto Elisa quanto a criatura são seres extremamente sós, incompreendidos, que vivem isolados em seus mundos. Ao se depararem um com o outro, Elisa e a criatura desenvolvem quase imediata empatia - eles se compreendem, enxergam-se no outro sem que qualquer palavra seja necessária, dando-se, então, o encontro. Tudo é mostrado com profunda sensibilidade sem, no entanto, cair na pieguice. Apaixonei! Mas, como bom filme do del Toro, não existe apenas o lado luminoso da questão, aaah, não!!! O filme tem também sua faceta sombria, um vislumbre do que mais cruel, sádico, doentio e destruidor existe no ser humano. Para completar, temos, como pano de fundo, o auge da Guerra Fria e a disputa pelo conhecimento e tecnologia entre os dois blocos hegemônicos encabeçados pelos EUA e pela URSS, ajudando a criar toda sorte de "monstros" reais e imaginários na sociedade. É suficiente???? Mas tem mais!!! Questões como racismo, homofobia, consumismo, desemprego, assédio, militarismo, dentre outros, surgem aqui e ali transformando a obra numa pequena mostra do que existe na sociedade norte-americana dos anos 60 (e não só daquela época, né???? ). Como eu disse, é uma obra muito rica. Mas não é só o conteúdo que deslumbra, a forma também merece elogios. O filme é esteticamente belo, conta com uma fotografia linda, apesar de, muitas vezes, sombria, com uma paleta de cores caindo para o azul, verde e cinzas (destaque para a cena em que esses tons são quebrados pelo vestido, sapatos e faixa de cabelo vermelhos de uma Elisa radiosa). Os efeitos especiais do filme são excepcionalmente bons, em particular os que se referem à criatura - o espectador quase sente a temperatura fria e umidade do ser!!!!! Até mesmo a trilha sonora me chamou a atenção, com inúmeras músicas das décadas de 50 e 60, inclusive com uma obra de Carmem Miranda!!!! Quanto às interpretações, gente, só gigantes, começando pela expressivíssima Sally Hawkins, que, sem soltar um único som, consegue passar toda sorte de sentimentos (afeto, ansiedade, angústia); Michael Shannon, monstruoso, causa repugnância como Strickland; a gloriosa Octavia Spencer e o fenomenal Richard Jenkins interpretam os únicos amigos de Elisa, ambos perfeitos; e o versátil Michael Stuhlbarg interpreta o simpático e humano Dr. Hoffstetler (não posso dar spoiler, mas existe uma grande ironia relacionada a esse personagem... rs). Sério, a obra é incrível, vale demais a pena. Recomendo à décima potência (não vi ainda todos os filmes, mas, por enquanto, minha torcida pelo Oscar de filme e direção está depositada nessa obra aqui).

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