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  • hikafigueiredo

“A Fronteira”, de Claude Chabrol, 1966

Filme do dia (81/2023) – “A Fronteira”, de Claude Chabrol, 1966 – Durante a Segunda Guerra, a França foi ocupada pelas forças alemãs. Em uma pequena cidade da região do Jura, o rio Loue serve de linha de demarcação entre a França ocupada e a área livre. O Conde de Damville (Maurice Ronet), que lutara pela França, acaba de ser libertado pelos alemães e retorna para casa. Desesperançado, o Conde reencontra sua esposa Mary (Jean Seberg), inglesa radicada na França, a qual não duvida de uma reação dos aliados. Paralelamente, diversos moradores locais colaboram com a resistência.





O filme, uma evidente homenagem à Resistência Francesa, retrata os esforços assumidos por inúmeros franceses durante a ocupação alemã da França no sentindo de se manterem fiéis ao país, à sua cultura e aos seus ideais, resistindo ao invasor e colocando suas vidas em risco em nome de um bem maior. A história mostra como mesmo pequenas ações tinham, muitas vezes, um impacto importante na manutenção da unidade entre os ocupados, reforçando a identidade dos invadidos e sua convicção em não se renderem. Na história não existe um herói solitário que se destaca e mobiliza os demais – não, o que vemos é um “trabalho de formiguinha”, cada morador fazendo aquilo que estava ao seu alcance para auxiliar outros que estavam um pouco mais na linha de frente. Claro que o filme também retrata casos isolados de colaboracionismo e a conduta daqueles que só pensavam em “se dar bem”, aproveitando-se da fraqueza de outros – a História e o filme evidenciam que ser um traidor não é bem-visto e não traz consequências positivas. A narrativa é linear em ritmo pausado, com alguns momentos mais ritmados. A atmosfera é de leve tensão, apertando em algumas cenas mais dramáticas. Observe-se que há uma visão romantizada da guerra e do patriotismo, nada que lembre obras que escancaram os horrores de qualquer conflito armado e mortes aos milhares, como os traumáticos “Vá e Veja” (1985), “O Medo” (2015) e “Nada de Novo no Front” (1930, refilmado em 2022). Destaco a bela fotografia P&B que transita entre a luz suave e a bem marcada, pontuando momentos de maior tensão. O ótimo elenco traz Jean Seberg e Maurice Ronet como o casal de nobres de Damville que vive certa tensão pelas posições antagônicas da esposa e do marido - ambos os intérpretes estão bem, mas nada assim de outro mundo. Achei que Daniel Gélin e Stéphane Audran tiveram personagens mais interessantes e exigentes como o casal Lafaye. No elenco, ainda, Claude Léveillée, Jacques Perrin, Reinhard Kolldehoff, Roger Dumas e Jean Yanne. O filme é bom, mas não me motivou muito apesar de minha profunda simpatia por aqueles que resistem à qualquer dominação. Mas é um Chabrol, o que por si só já vale a pena.

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