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  • hikafigueiredo

“A Primeira Página”, de Billy Wilder, 1974

Filme do dia (106/2023) – “A Primeira Página”, de Billy Wilder, 1974 – Chicago, final da década de 1920. Walter Burns (Walter Matthau) é o editor de um jornal que tem em Hildy Johnson (Jack Lemmon) seu principal jornalista. Quando Hildy decide se aposentar para casar com a jovem Peggy (Susan Sarandon), Walter tentará convencê-lo a continuar na profissão e escrever sobre a fuga de um condenado à morte, Earl Williams (Austin Pendleton).





Baseado em uma peça teatral de Ben Hecht e Charles MacArthur, o filme explora, de maneira bem-humorada, o universo do jornalismo e as entranhas da notícia. O diretor, que no passado já retratara esse universo no tenso e nada cômico “A Montanha dos Sete Abutres” (1951), aqui mantém o olhar crítico, mas o faz com leveza e ironia, sem o peso da tragédia da obra antecedente. Claro que ainda existe a crítica à espetacularização da informação, à manipulação midiática, à desumanização daqueles que se tornam objeto da notícia, ao poder de quem detém os veículos de comunicação, mas, também, abre-se espaço para apresentar um pouco das agruras da profissão – a exploração tirânica dos repórteres pelos editores e jornais, as jornadas de trabalho infinitas, a rivalidade entre os jornalistas, sempre atrás do “furo” de reportagem que os levará ao Prêmio Pulitzer, dentre outros -, mas tudo com graça e humor. Para tanto, Billy Wilder se vale de uma das mais bem-sucedidas, profícuas e felizes parcerias da história do cinema – a “dobradinha” entre Jack Lemmon e Walter Matthau, inúmeras vezes aproveitada, inclusive, pelo diretor. Como de praxe, Jack Lemmon usa de sua veia cômica para interpretar o atrapalhado com boas intenções, enquanto Walter Matthau representa, mais uma vez, o sujeito mal-humorado, rabugento e com não muito escrúpulos. A narrativa é linear, em ritmo moderado a intenso. A origem teatral não passa despercebida, já que quase 100% da história se passa em um único ambiente, o que me deu alguma sensação de claustrofobia. A atmosfera é leve, mesmo resvalando em um tema pesado – a pena de morte de um prisioneiro acusado de assassinar um policial. Há, aqui e ali, alguns “ranços” de preconceito, em especial a homofobia, que, embora reprovável, pode ser explicado pela época em que o filme foi feito (sabe aquele preconceito travestido de humor e que hoje em dia, à luz do conhecimento, perdeu qualquer graça que porventura tenha tido no passado? Então, é o caso). Formalmente, a obra é bem convencional, ainda mais por conter traços da peça teatral. Curti muito a “entrada” do filme, que mostra um pouco da indústria gráfica e o trabalho que dava a tipografia àquela época. Como era de se esperar, o filme traz diálogos rápidos e sarcásticos, bem ao gosto do diretor e que fazem a alegria do espectador. O elenco, além da dupla impagável Lemmon-Matthau, ainda traz a diva Susan Sarandon, bem jovenzinha, em início de carreira, em um papel que não lhe exigiu muito – Peggy, a noiva do jornalista Hildy; temos, também, a presença da icônica Carol Burnett, célebre comediante norte-americana, como a prostituta Molly. O filme recebeu três indicações ao Globo de Ouro (1975) – uma na categoria de Melhor Filme de Comédia ou Musical e duas na categoria de Melhor Ator em Comédia ou Musical, para Lemmon e Matthau. O filme tem ritmo, é divertido, traz críticas bem dosadas, muito sarcasmo e, claro, a presença da dupla terrível Lemmon e Matthau. Minha única crítica fica por conta do formato teatral que poderia ter sido mais “quebrado”. De resto, filme bem válido – recomendo.

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