• hikafigueiredo

"Adeus às Armas", de Frank Borzage, 1932

Filme do dia (446/2020) - "Adeus às Armas", de Frank Borzage, 1932 - Durante a Primeira Grande Guerra, o tenente Frederic Henry (Gary Cooper) conhece a enfermeira Catherine Barkley (Helen Hayes), oportunidade em que eles se apaixonam. A guerra, no entanto, se incumbirá de mantê-los separados, a despeito do amor de um pelo outro.





Ai... que filme chatinho, minha deusa. Baseada no livro homônimo de Ernest Hemingway, a obra foi sua primeira adaptação para o cinema. Com um fundo evidentemente antibelicista, o filme relata os percalços de uma relação amorosa iniciada durante o conflito e coloca a guerra como o grande empecilho para o amor do casal. Apesar de ser, também, um filme de guerra, ela praticamente não aparece em cena, relegada a segundo plano em relação ao relacionamento do casal. Problemas do filme: ele é muito minucioso em seu início, mostrando, com calma e detalhamento, como a relação dos personagens começa. De repente, no meio do filme, acaba qualquer cuidado e, quase como se estivesse em fast forward, os acontecimentos são mostrados de maneira acelerada, muito resumida, sem diálogos, sem construção narrativa, sem nuances, sem nada! Uma coisa esquisitíssima! A sensação que me deu foi que acabou o orçamento e tiveram de terminar a filmagem a toque de caixa! Em segundo lugar, a paixão do casal surge de maneira um tanto quanto inverossímil, pois aparece do nada, e os amantes trocam juras de amor no mesmo dia em que se conhecem - eu imagino que, no livro, talvez existam detalhes subjetivos não mostrados no filme, possivelmente uma urgência em viver decorrente das pressões da guerra, uma carência por afeto, por pertencimento, sei lá, mas, do jeito que é mostrado no filme, me soou meio sem pé nem cabeça; em terceiro lugar - e aí eu acho que a questão é do livro mesmo -, na primeira cena de "amor" do casal, me saltou aos olhos uma horrível violência contra a mulher, algo que, para os dias de hoje, chega a chocar: Catherine não quer "se entregar" ao tenente, ela hesita, diz "não"... e a relação sexual acontece! Na minha terra isso tem um nome... estupro. Ela cair de amores por ele após ele forçar essa relação sexual só aconteceria numa doentia mente masculina e, para mim, revela que a obra está mergulhada, até o topo da cabeça, no machismo estrutural e numa concepção totalmente equivocada da alma feminina. Bom... essa era a realidade da época e, aparentemente, nenhuma mulher teve a mesma leitura que eu quando do lançamento do livro ou do filme, já que ambas as obras são consideradas romances de amor (mulheres que viram o filme, vocês tiveram essa mesma leitura ou sou eu que sou neurinha???). Em contrapartida, o filme é, tecnicamente, muito bem realizado. A fotografia P&B é constantemente utilizada como elemento dramático e colabora para criar tanto as cenas de tensão como as românticas. Da mesma maneira, a edição de som, tanto que o filme foi agraciado com o Oscar nessas duas categorias. Sobre as interpretações, Gary Cooper era um ator bastante expressivo, de forma que sua atuação me deixou bem satisfeita (sem contar que ele era lindo rs); Helen Hayes consegue se impor no filme por sua ótima interpretação e não por seus dotes físicos - ela me conquistou já na mencionada cena de "amor", com uma interpretação sensível e contida, que me deixou tocada face às lágrimas silenciosas que lhe escorrem pela face... Adolphe Menjou também está "brutal" como o contraditório Major Rinaldi (eu cheguei a odiar o personagem). Bem... eu não gosto do gênero romance, ainda mais quando a obra se leva muito a sério (por isso gosto de comedinhas românticas bobas), então esse filme já começou com certa desvantagem. Achei, ainda, o desenvolvimento da narrativa irregular e, no final das contas, a obra me deu um sono louco. Acho que sim, pode agradar certa parcela do público, mas, a mim, não agradou. Eu não vou recomendar, vejam por sua conta e risco. PS - tem pouco a ver com a obra, mas achei engraçada a escolha de elenco. Não sei se Gary Cooper era muito alto ou se Helen Hayes era muito pequenininha, mas os dois juntos em cena formavam um casal curioso, com bem uns 35 a 40 centímetros de diferença de altura - a cabeça dela batia no diafragma dele!!! Não vemos isso nas produções atuais e achei isso até que bonitinho, pois, na vida real, as pessoas não vêm com selinho de "altura compatível" rs

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