• hikafigueiredo

"Adeus, Meninos", de Louis Malle, 1987

Filme do dia (30/2018) - "Adeus, Meninos", de Louis Malle, 1987 - Durante a Segunda Guerra Mundial, um colégio católico francês acolhe, anonimamente, alguns meninos judeus entre seus alunos. O jovem Julien (Gaspard Manesse) acaba fazendo amizade com Jean (Raphaël Fejtö) sem saber de suas origens, mas, aos poucos, começa a desconfiar do novo amigo.





Nesse drama autobiográfico, Louis Malle exorcisa seus fantasmas interiores ao contar a história de sua amizade com o jovem judeu Jean no colégio interno onde se conheceram. O filme retrata a infância possível em tempo de guerra - mesmo sob os horrores do regime nazista, havia espaço para brincadeiras, disputas e jogos. A obra ainda discorre sobre o medo constante que assombrava os meninos, em especial aqueles que viviam uma falsa identidade. É um filme angustiante e triste, muito triste, daqueles de tirar a crença na humanidade. A narrativa se passa em tempo cronológico e, como lembranças que são, atem-se às passagens mais marcantes daqueles dias vividos pelo diretor. Fotografia e direção de arte casam especialmente bem, compondo uma estética sóbria, com uma paleta de cores majoritariamente em tons azulados e cinza. Os meninos Gaspard Manesse e Raphaël Fejtö saem-se muito bem - enquanto o primeiro destaca a curiosidade do personagem pelo novo amigo, o segundo explicita, no olhar e na linguagem corporal, no tímido tom de voz e na discrição extrema, o seu medo constante de ser descoberto. A obra recebeu o Leão de Ouro em Veneza. Filme ótimo, equilibrado, dramático sem ser piegas,. Recomendo. Muito.

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