• hikafigueiredo

"Adoráveis Mulheres", de Greta Gerwig, 2019

Filme do dia (24/2020) - "Adoráveis Mulheres", de Greta Gerwig, 2019 - EUA, década de 1860. Durante a Guerra Civil norte-americana, irmãs March - Jo (Saoirse Ronan), Meg (Emma Wattson), Amy (Florence Pugh) e Beth (Eliza Scanlen) - vivem com dificuldades com sua mãe Mary (Laura Dern), aguardando o retorno de seu pai do conflito. Com o passar dos anos e considerando as significativas diferenças entre as jovens, as irmãs March irão amadurecer e buscar sua felicidade.





O filme é a mais nova adaptação cinematográfica do livro "Little Women" de Louisa May Alcott, publicado em 1868. A obra bibliográfica é considerada um clássico norte-americano e já teve inúmeras adaptações para cinema e teatro. Apesar de conter idéias e ideais bastante datados -afinal o livro original conta com mais de 150 anos! - a adaptação de Greta Gerwig consegue dar uma roupagem completamente inovadora à obra ao subverter o tempo cronológico da história, alternando diferentes momentos da narrativa e tirando aquela cara de "livro" das adaptações tradicionais. Na verdade, a diretora consegue não apenas modernizar o formato da história, mas, ainda, consegue agilizar seu ritmo e dar nova significância às demais personagens, já que no livro o protagonismo se concentra na personagem Jo (inspirada na própria escritora). Para quem viu outras adaptações, é perceptível como as demais irmãs March ganharam "espessura" com o formato proposto por Greta Gerwig. Para mim, que acho a história original meio... hmmmm... chatinha, foi uma grata surpresa encontrar um filme moderno, ágil e "vivo", muito bem dirigido por Gerwig. Dos quesitos técnicos, destaco a ótima direção de arte de época e, evidentemente, a montagem brilhante. No elenco, Saoirse Ronan está maravilhosa como a impulsiva Jo, sem ser irritante como a Jo de outras adaptações; Emma Watson assume a personagem mais "tradicional" e romântica do quarteto - Meg - afastando-se bastante do perfil da atriz, uma feminista assumida, adorei; Florence Pugh aprofundou sua personagem Amy, que aqui ganhou novos contornos além da simples vaidade; Eliza Scanlen faz uma Beth delicada e apaziguadora, bastante madura para a irmã mais jovem. Ainda temos o belíssimo trabalho de Laura Dern como a mãe das meninas, Chris Cooper numa ponta como pai, Meryl Streep como a tia March, Louis Garrel como Friedrich e, claro, Timothée Chalamet como Laurie. Desconsiderando as idéias machistas e para lá de ultrapassadas da história, o filme é agradável e gostosinho de ver, acho que vale muito pela direção de Greta e pelo trabalho do elenco. Recomendo.

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