• hikafigueiredo

"Anomalisa", de Charlie Kaufman e Duke Johnson, 2015

Filme do dia (164/2016) - "Anomalisa", de Charlie Kaufman e Duke Johnson, 2015 - Michael é um escritor e palestrante de sucesso. Ele viaja de Los Angeles para Cincinnati para uma palestra. Durante a viagem, uma crise existencial atinge Michael e sua vida, aparentemente equilibrada, sairá dos eixos.





Nesta incrível animação em stop-motion, hiper-realista, temos uma verdadeira viagem à depressão e ao universo interior sombrio de quem vive uma crise emocional. O personagem sente um vazio profundo e busca, fora dele próprio, uma resposta, um "outro", que aplaque a solidão e encha de significado uma vida monótona e árida. A animação é excelente, mas poucas vezes uma obra me causou tanto mal estar como essa. Há momentos constrangedores, outros, agoniantes, mas a tônica geral é de desilusão com a vida, que surge como alguma coisa amorfa e desbotada. É impressionante como os diretores conseguiram transferir para a tela a angústia profunda que acompanha um estado depressivo. Mas a excelência da obra não é de espantar, uma vez que tem por base um roteiro do talentoso, competente e esquisito Charlie Kaufman, responsável pelos roteiros de "Quero ser John Malkovich", "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças" e "Adaptação" (todas obras bem... como diria... bizarras). A animação, em si, é extremamente realista - desde o espelho embaçado, quanto a luz do sol que ofusca, ou, ainda, o desfocado daquilo que não é o objeto de atenção. Expressões e movimentos são perfeitamente representados. Achei bastante interessante como as vozes dos personagens foram utilizadas na história - todos os personagens, com exceção de Lisa, tem a mesma voz masculina e monocórdica, a evidenciar a monotonia e a pasteurização que Michael vê em tudo. Lisa, no entanto, tem uma bela voz feminina (cedida pela ótima Jennifer Jason Leigh), o que reflete o estado interior de Michael e seu interesse por Lisa. Atenção no que ocorre na mesa do café (sem spoilers) - achei genial. A animação concorreu ao Oscar na sua categoria em 2016, perdendo para "Divertida Mente" (que eu, particularmente, detestei). Gostei bastante e recomendo, mas: 1. não veja deprimido, não vai prestar; 2. não é indicado para crianças.

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