• hikafigueiredo

"As Aventuras do Barão de Munchausen", de Terry Gilliam, 1988

Filme do dia (297/2021) - "As Aventuras do Barão de Munchausen", de Terry Gilliam, 1988 - Século XVIII. Uma cidade está sob forte ataque do exército turco. Uma trupe de artistas apresenta uma peça baseada nas aventuras do famoso Barão de Munchausen, quando, subitamente, é interrompida por um homem idoso que afirma estarem, as histórias, todas erradas e se apresenta como o verdadeiro barão, passando, então, a contar a sua versão dos fatos.





Terry Gilliam, conhecido por ter sido um dos integrantes do grupo de comédia Monty Phyton, é um diretor que gosta de ousar, tanto pelos roteiros complexos, quanto pelos visuais criativos e grandiosos. Nesta obra, o diretor mergulha no mundo da fantasia, dando vida às histórias miraculosas do personagem Barão de Munchausen e abrindo um leque infinito de imagens surpreendentes e impressionantes. O Barão de Munchausen ficou célebre por abusar da imaginação, narrando histórias epopeicas como se fossem aventuras verdadeiras vividas por ele. A própria natureza do personagem - mentiroso de carteirinha, imaginativo e hiperbólico - impõe à história uma direção certa e única ao impossível e ao nonsense. Não há qualquer limite à narrativa fantasiosa da obra, tudo é permitido e é impossível não ser surpreendido pelos caminhos da absurda história. Apesar das aventuras erráticas vividas pelos personagens, o espectador acompanha a linha da narrativa sem perder o fio da meada, mesmo com o ritmo acelerado imposto à obra. Mas o que impressiona no filme, ainda hoje, é seu visual minuciosamente construído para embevecer o espectador (claro que é obra para ser vista na tela grande, pois perde muito de sua magnificência na tela pequena). Ainda que a fotografia da obra seja exemplar, com seus movimentos de câmera sofisticados e cores muito contrastantes e saturadas, é na direção de arte que o filme encontra seu ápice. São cenas que criam ambientes os mais díspares que vão do terreno lunar ao interior de um vulcão, o meio do oceano, um palácio turco-otomano ou uma cidade sob ataque, tudo com absoluta liberdade criativa. Certo que há passagens que lembram demais os filmes do Monty Phyton - como o trânsito de construções na lua (!!!) ou a greve de ciclopes no interior do vulcão -, mas isso só torna a obra ainda mais saborosa. O visual do filme é tão fantástico que concorreu a todas as categorias do Oscar ligadas a isso: Melhores Direção de Arte, Figurino, Maquiagem e Efeitos Visuais. Ah... e lembrem-se que na época o CGI não era a tônica como nos dias de hoje. O elenco, enorme e para lá de estrelado, também arrebata: John Neville interpreta o Barão de Munchausen, o qual envelhece ou rejuvenesce dependendo dos caminhos da narrativa; Eric Idle, também do Monty Phyton interpreta Berthold; uma "mini" Sarah Polley interpreta Sally; Oliver Reed interpreta Vulcano; Uma Thurman interpreta Vênus; Robin Williams interpreta o rei da lua; e até Sting faz uma micro-ponta como oficial do exército. Destaque absoluto para a cena que imita a tela "O Nascimento de Vênus". A obra é entretenimento puro, feito para impressionar o olhar e divertir a família toda. Eu o acho delicinha, mas perde muito na telinha. Quem gosta de fantasia e procura um filme leve, está na medida.

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