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"As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant", de Rainer Werner Fassbinder, 1972Untitled

Filme do dia (13/2016) - "As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant", de Rainer Werner Fassbinder, 1972 - Petra Von Kant (Margit Carstensen) é uma renomada estilista, divorciada e aparentemente autossuficiente. No entanto, o frágil equilíbrio emocional de Petra será posto à prova quando esta conhece Karin (Hanna Schygulla), uma bela jovem a quem propõe uma carreira como modelo.





Neste drama, baseado em uma peça de teatro, temos um verdadeiro exorcismo da paixão e da obsessão de uma mulher por ser objeto de desejo. O filme é composto, basicamente, por apenas quatro "atos", os quais abarcam toda a trajetória da personagem relacionada à personagem Karin, desde o momento que se conhecem até o verdadeiro expurgo dos sentimentos de Petra pela jovem. Toda a ação desenvolve-se em um único e bastante limitado cenário - um dos cômodos da casa de Petra - o que faz o filme ser um tanto quanto claustrofóbico, além de exigir um verdadeiro milagre em relação ao posicionamento da câmera, o que é alcançado com maestria pelo diretor. A construção da personagem Petra é extremamente interessante - arrogante, segura e autossuficiente no "meio social", Petra, na intimidade, é frágil, insegura, neurótica e dependente, levando sua paixão a um extremo que a torna realmente patética. Petra, no seu sofrimento, é cruel com as pessoas que a cercam e age como uma menina mimada que não tem o que quer - sim, desenvolvi profunda antipatia pela personagem, o que não afetou a admiração pela obra em si. Apesar do sofrimento de Petra, em nenhum momento tive qualquer empatia com sua dor, o que não é muito comum em mim. De qualquer forma, o filme é bastante interessante na forma como retrata e explora o tema do amor extremo não correspondido. O roteiro beira a perfeição na forma como desenvolve a dor e a perda de controle da personagem como uma "onda", que se prepara para acontecer, cresce, forma uma crista, "quebra", para então, acalmar e sumir por inteiro (não sei se alguém além de mim vai entender a imagem mental, mas tudo bem... rs). Petra é magistralmente interpretada por Margit Carstensen, que rouba completamente a cena das demais atrizes - sim, o elenco é formado somente por mulheres, algo bem atual nesse momento em que se fala tanto de protagonismo feminino. A fotografia, como já disse antes, opera milagres no ambiente confinado da casa de Petra. A direção de arte, maquiagem e figurino são extremamente datados, super "kitsch", bem anos 70. O ritmo é lento e pode não agradar um público mais acostumado com filmes hollywoodianos. No geral, gostei bastante do filme, mas exige certo trabalho do espectador para entrar no clima. Recomendo para quem gosta de ver, na tela, uma "autópsia sentimental" (rs).

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