• hikafigueiredo

"As Mil e Uma Noites", de Pier Paolo Pasolini, 1974

Filme do dia (311/2020) - "As Mil e Uma Noites", de Pier Paolo Pasolini, 1974 - O jovem Nur El-Din (Franco Merli) procura sua escrava Zumurrud (Ines Pellegrini), a qual lhe foi roubada. Durante sua busca pela amada, Nur El-Din conhecerá várias histórias acerca de amantes apaixonados.





Última obra da "Trilogia da Vida", de Pasolini, que me faltava conhecer e a última da trilogia a ser realizada, fui surpreendida por um filme saboroso, com locações grandiosas e direção de arte caprichada. Devo confessar que os dois outros filmes da trilogia não me agradaram - "Decameron" (1970) e "Os Contos de Canterbury" (1972) chegaram a me incomodar pelo pouco cuidado exibido na sua produção e pelas interpretações canhestras de seus atores e atrizes, sabidamente amadores. Vim assistir a este preparada para a mesma pobreza visual e atuações medíocres, mas fui surpreendida por uma obra bem mais cuidadosa e com atuações bem mais interessantes, mesmo se tratando, em parte, da mesma equipe de atores e atrizes (bem melhores, depois da experiência com os dois filmes anteriores). O filme - como os demais da trilogia - é formado por uma história principal e várias historietas "menores", inseridas dentro da principal. Neste, em particular, há contos, dentro dos contos, dentro da narrativa inicial, numa estrutura bastante peculiar e que exige certa atenção para não acabar perdido entre tantos personagens e histórias. As narrativas, repletas de erotismo, violência e tragédia discorrem sobre os relacionamentos humanos, principalmente aqueles fundados no amor romântico. Não sei se é impressão minha, mas este me pareceu o menos crítico dos três filmes (mas pode ser uma impressão errada, já que assisti aos demais há bastante tempo e talvez a memória esteja me traindo), ainda que as cenas de nudez e sexo (não explícito) continuam ali para "causar". A qualidade técnica é bastante superior a dos demais filmes da trilogia. A obra foi rodada no Irã, Eritréia, Yêmen e Nepal, o que já dá uma ideia da exoticidade das locações, todas lindas e exuberantes, tal qual a direção de arte geral. A trilha sonora ficou a cargo de ninguém menos que o gênio Ennio Morricone. Quanto às interpretações, ainda que não sejam excepcionais, uma vez que são, na maioria, atores e atrizes iniciantes ou com pouca experiência, são infinitamente mais convincentes do que nos filmes anteriores. Dentre o elenco - enorme, dada a quantidade de histórias contidas na obra -, destacaria Franco Merli como Nur El-Din, Tessa Bouché como Aziza, Ines Pellegrini como Zumurrud (de uma beleza exótica impressionante), Luigina Rocchi como Budur e Ninetto Davoli como Aziz (este último figurinha carimbada dos filmes de Pasolini). Única reclamação - a cena da pomba, completamente dispensável e odiosa. A obra recebeu o Grand Prix em Cannes em 1974. Eu gostei bastante e recomendo.

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