• hikafigueiredo

"Até Nunca Mais", de Benoit Jacquot, 2016

Atualizado: 23 de ago. de 2019

Filme do dia (72/2019) - "Até Nunca Mais", de Benoit Jacquot, 2016 - Jacques (Mathieu Amalric), um renomado cineasta, conhece Laura (Julia Roy), uma jovem e desconhecida atriz performática, e por ela se apaixona, abandonando sua antiga companheira Isabelle (Jeanne Balibar). Após certo tempo juntos, Jacques falece e Laura permanece na antiga casa do casal, um imóvel construído à beira-mar, distante de tudo e todos. A solidão de Laura, aliada às lembranças do companheiro que partiu, passam a consumir a sanidade da jovem, que, paulatinamente, vai perdendo sua identidade.





Ai ai, Jesus... O nome da obra é extremamente pertinente..."Até nunca mais" mesmo, para mim é filme para ver uma vez e nunca mais. Extremamente pretensiosa, a obra tenta discutir a questões como a identidade do artista e quanto ela se confunde com sua obra, a permanência do autor além de sua existência física e a influência da figura e obra do artista sobre seu público (pelo menos, foi o que eu praticamente intuí).. Só que o filme fica na tentativa, não chega a lugar algum e tenta dar ares de intelectualidade ao arrogante hermetismo da obra. Pior do que ter uma mensagem hermética - pois sou daquelas que acredita que mesmo que uma mensagem não fique racionalmente clara, o público pode ser atingido através das sensações e dos sentimentos que a obra desperta -, é ser sensorialmente vazio, ou seja, ser totalmente insosso, não trazer qualquer emoção ao espectador, e, para mim, é o caso deste filme. Chegou a me irritar, o uso caótico e desprovido de significado da montagem do filme - a combinação dos planos e cenas me pareceu propositalmente aleatória, o intuito era "parecer difícil e pomposo" ao público. Cara... se a gente pegar um "2001" (Kubrick, 1968), um "O Espelho" (Tarkovski, 1975), um "Persona" (Bergman, 1966), um "Pocilga" (Pasolini, 1969) ou, chutando o pau da barraca, qualquer coisa do David Lynch (rsrsrs), temos obras bem difíceis, complexas, por vezes herméticas... mas os filmes têm propósitos, despertam emoções no público e atingem, em diversos aspectos, o espectador... aqui, não, o diretor quis fazer um filme complicadinho e fez um agregado de nada com coisa alguma. Nem Mathieu Amalric, que é um ator respeitável, de quem gosto bastante (protagonista dos ótimos "O Escafandro e a Borboleta" e "A Pele de Vênus"), conseguiu dar algum brilho nesta obra "aquosa" (incolor, insípida e inodora). Achei um porre e recomendo... distância.

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