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  • hikafigueiredo

“Caçadores de Obras-Primas”, de George Clooney, 2014

 

Filme do dia (02/2024) – “Caçadores de Obras-Primas”, de George Clooney, 2014 – Europa, 1943. Um grupo de especialistas em artes de diferentes países, liderado pelo oficial estadunidense Frank Stokes (George Clooney), é destacado para garantir a segurança e preservação do acervo artístico europeu durante a Segunda Guerra, bem como sair ao encalço de obras de artes subtraídas pelos nazistas.




O filme, baseado em uma obra de não-ficção de Robert M. Edsel e Bret Witter, discorre sobre a ação real de um grupo de peritos que, durante a Segunda Guerra, foi reunido com o intento de proteger o patrimônio artístico dos países ocupados pelos nazistas. Com treinamento militar e conhecimento em diversos ramos das artes, a equipe era formada por especialistas de diferentes países aliados. Confesso que a ideia de pessoas protegendo patrimônio artístico e cultural em locais de conflito me dá certa esperança na humanidade, mas o que o filme nos entrega é – para variar – um grande exercício de autoenaltecimento dos EUA, o que, vamos combinar, sequer faz sentido, uma vez que havia integrantes dos mais diversos países na empreitada. O filme, assim, apropria-se da intenção e da ação realizada para garantir a segurança do acervo artístico europeu para glorificar os EUA, inclusive contrapondo-se à URSS, que, aparentemente, tinha uma divisão com exatamente os mesmos propósitos. Admito que essa apologia ao EUA me irritou e fez com que eu sentisse certo desprezo pela obra – acredito que se outro país tivesse realizado a adaptação do livro, ela teria sido bem mais interessante. Aliás, o filme tece um diálogo (bastante desigual, diga-se de passagem) com o excelente “Francofonia: Louvre Sob Ocupação” (2015), de Alexandr Sokurov, um livre exercício artístico e intelectual sobre o trabalho de Jacques Jaujard, diretor do Museu do Louvre, na preservação do acervo do museu durante a ocupação nazista – são obras muito díspares acerca do mesmo assunto. O presente filme segue toda a cartilha hollywoodiana de desenvolvimento de enredo, não poderia ser mais padrãozinho. Lógico que a qualidade técnica é de alto padrão, com fotografia, edição de som e desenho de produção impecáveis – o que não o impede de ser completamente insosso (ou talvez por isso mesmo). O elenco também segue a lógica do cinema comercial estadunidense e não daria para ser mais “estrelado”, trazendo, além do próprio George Clooney, Matt Damon (fazendo mais do mesmo), Bill Murray, John Goodman, Cate Blanchet e o lindinho Jean Dujardin, dentre outros menos conhecidos (Bob Balaban e Hugh Bonneville). Olha... o mais interessante do filme é saber da existência do grupo, porque a obra, em si, é por demais convencional e autopromove os EUA de um jeito irritante (a cena da bandeira na mina... misericórdia, que ranço). Eu achei fraco – talvez o mais fraco filme assinado por Clooney -, mas certamente bem-feito. Talvez agrade a alguns, mas eu não me animo a recomendar.

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