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  • hikafigueiredo

“Cake – Uma Razão para Viver”, de Daniel Branz, 2014

Filme do dia (154/2023) – “Cake – Uma Razão para Viver”, de Daniel Branz, 2014 – Após sofrer um grave acidente de carro que lhe gerou um luto, muitas cicatrizes pelo corpo e terríveis dores crônicas, Claire Simmons (Jannifer Aniston) precisa aprender a conviver com suas sequelas. O suicídio de Nina (Anna Kendrick), uma das participantes de seu grupo de apoio, terá consequências na vida de Claire.





Filme sobre superação, a obra se diferencia de outras do gênero por não retratar uma vítima clássica, daquelas que rapidamente inspiram piedade e empatia. Claire nem de longe suscita alguma compaixão – não obstante as horríveis cicatrizes que passaram a deformar seu rosto e corpo, a personagem é antipática, fria, amarga e, por vezes, debochada. Ela trata com dureza aqueles que dela se compadecem e, tampouco, sente empatia por outras pessoas em situação semelhante à dela. Sofrendo de dores crônicas, Claire encontra-se viciada em analgésicos e opioides e age como qualquer adicta – fazendo qualquer coisa para conseguir mais um comprimido. Quando Nina, sua colega no grupo de autoajuda, se suicida, a reação de Claire assusta as demais participantes pela frieza e ironia, ao ponto de a afastarem do grupo. No entanto, o suicídio de Nina será o primeiro passo para a superação e redenção da personagem. A narrativa, assim, irá acompanhar a jornada de Claire em direção à cura possível – digo possível porque muito do sofrimento da personagem não teria, realmente, solução. Gradualmente, Claire passa a aceitar melhor suas dores – físicas e emocionais -, sai da negação em que vivia, humaniza-se e se permite sofrer. Ainda que em momento algum Claire se mostre doce, ou, ainda, exponha suas fraquezas, incertezas e inseguranças, ela, ao menos, consegue se despir de sua carapaça – o início de uma mudança. A narrativa é linear, em ritmo marcado e crescente. A atmosfera é puro fel – sobra amargor para todos os lados e o processo de Claire retratado pela narrativa é, em parte, livrar-se da amargura e de toda a sua raiva. Acredito que este foi o primeiro e, acho, o único, drama protagonizado por Jennifer Aniston – sua personagem tem complexidade, e é a prova de que a atriz é, sim, muito boa e tem capacidade dramática para superar as comédias românticas e romances que lhe fizeram fama. Achei corajoso a atriz se despojar de sua boa aparência para interpretar uma mulher deformada por cicatrizes e profundamente amarga e raivosa e tenho de concordar que seu trabalho é muito muito consistente e bom. Pela sua interpretação, Aniston foi indicada ao Globo de Ouro (2015) e ao Critics’ Choice Awards (2015) na categoria de Melhor Atriz. Anna Kendrick está bem como Nina, mas a personagem não lhe exige muito; Sam Worthington interpreta Sam, marido de Nina, razoável na sua interpretação. Adriana Barraza interpreta Silvana, a braço direito de Claire, em ótima interpretação. William H. Macy faz uma rápida aparição no filme. A obra é surpreendentemente boa e não passa pelo vitimismo tradicional de filmes hollywoodianos, o que por si só é um mérito. Eu gostei (já havia visto, revi para escrever sobre ele e a experiência foi melhor nessa segunda vez) e recomendo.

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