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"Cinzas e Diamantes, de Andrzej Wadja, 1958

Filme do dia (137/2017) - "Cinzas e Diamantes, de Andrzej Wadja, 1958 - 08 de maio de 1945, Polônia. No dia da rendição da Alemanha Nazista, Maciek (Zbigniew Cybulski) um membro da resistência polonesa, compromete-se a matar um ilustre integrante do Partido Comunista local. No entanto, apaixona-se ao conhecer Krystyna (Eva Krzyewska), uma bela bartender, e começa a cogitar a hipótese de deixar a luta para trás e seguir um romance com a jovem.





Obra integrante de várias listas de "melhores filmes de todos os tempos", "Cinzas e Diamantes" tem uma narrativa em dois níveis - no primeiro, a história pessoal de Maciek e Krystyna; no segundo, a luta entre nacionalistas e socialistas, antes aliados, para subir ao poder da Polônia recém-libertada, numa bela dança entre lealdade e traição. A interação entre os dois níveis resulta numa obra riquíssima em leituras e interpretações. A cena final, que alterna o momento de Maciek (sem spoilers), num plano belíssimo, e o fim de noite em um bar, com o maestro tocando uma "polonaise" dissonante e desafinada, enquanto os últimos frequentadores dançam exaustos e desalinhados, é genial e caberia um sem fim de análises. Além desse conteúdo cheio de significados, temos, do ponto de vista formal, uma verdadeira obra de arte - os planos são milimetricamente construídos, quase sempre com grande profundidade de campo, dando conta de duas ações distintas, uma em primeiríssimo plano e outra, ao fundo. Além disso, vários são os planos recortados por portas, janelas, e até por uma imagem de Cristo destruída e de ponta cabeça, criando belas e inusitadas molduras para a ação. Também são comuns os planos em contra-plogée (câmera baixa), que dão certa desestruturada no olhar do espectador, num efeito bem interessante. Não bastassem os planos sofisticados e extremamente bem escolhidos, o filme conta com uma fotografia P&B marcada, muito bonita. De igual qualidade são as interpretações dos atores, em especial de Zbigniew Cybulski, cuja atuação impetuosa e visceral lhe rendeu comparações com James Dean. Eva Krzyewska, por sua vez, interpreta uma Krystyna contida, reticente, receosa, um ótimo contraponto para para o extrovertido e arrebatador Maciek, cabendo destacar, ainda, a beleza estonteante da atriz, que lembra, vagamente, Scarlett Johansson. O filme é muito bom e tem qualidades cinematográficas indiscutíveis, mas pode não agradar a um público acostumado com blockbusters. Recomendo com fervor, mas aviso que é ritmo de filme europeu, tá?

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