• hikafigueiredo

"Crepúsculo em Tóquio", de Yasujiro Ozu, 1957

Filme do dia (237/2018) - "Crepúsculo em Tóquio", de Yasujiro Ozu, 1957 - Takako (Setsuko Hara) retorna com sua filha para a casa do pai, fugindo de seu marido violento. Sua irmã Akiko (Ineko Arima) esconde de todos uma gravidez indesejada. O pai Sukichi (Chishu Ryu) tenta entender e administrar os problemas relacionados às filhas.





Nesta obra, Ozu abandona a crônica do cotidiano que o caracteriza e envereda pelo drama, narrando a pesada história das duas irmãs abandonadas pela mãe e criadas pelo pai. Apesar de manter o ritmo bastante lento, o diretor, aqui, apresenta uma história com muitos elementos dramáticos e com acontecimentos que saem do habitual para o excepcional. Como em outras obras suas, o filme está completamente inserido no seu momento histórico e na cultura japonesa - nos dias de hoje, o desfecho de Takako seria inconcebível sob qualquer ângulo que se olhasse (inclusive me causou profundo mal estar). O filme não é apenas dramático, é realmente triste, em especial se considerarmos a condição feminina na época. Ao contrário de "Era Uma vez um Pai (Ozu, 1942), onde o centro da obra são os homens e seus relacionamentos afetivos, aqui o foco são justamente as mulheres e as questões femininas, ficando, o pai, numa posição secundária na história. Achei interessante como o diretor alia a tensão das cenas com o ritmo muito lento - a impressão que me deu é que a tensão é estendida até seu limite, gerando certa "agonia" no espectador. No que tange à forma, como de hábito o diretor privilegia as longas cenas de câmera fixa, enquadrando, com frequência, o corpo inteiro. A fotografia P&B é belíssima e tem um componente dramático forte. No elenco, os queridinhos de Ozu: Setsuko Hara, sempre muito expressiva; Chishu Ryu com seu eterno semblante calmo e Haruko Sugimura, também ótima como a elétrica tia das garotas. Ineko Arima está perfeita como a transtornada Akiko. Destaque para o papel um pouco menor da MARAVILHOSA Isuzu Yamada, como mãe das irmãs (jamais vou esquecer dessa atriz como "Lady Macbeth" em "Trono Manchado de Sangue", de Kurosawa - não existe palavras para a interpretação dela!!!). É fato que as interpretações nessa obra estão, todas, excepcionais!!!!! O filme é só perfeito, tá???? Tem que ver, obrigatório.

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