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  • hikafigueiredo

"Deixe a Luz do Sol Entrar", de Claire Denis, 2017

Atualizado: 23 de ago. de 2019

Filme do dia (96/2019) - "Deixe a Luz do Sol Entrar", de Claire Denis, 2017 - Isabelle (Juliette Binoche) é uma artista plástica divorciada e mãe de uma filha que busca encontrar "seu grande amor". Nessa procura, ela se depara com dúvidas, decepções e desavenças.





Não caia no conto do marketing e acredite na classificação de "comédia romântica" desta obra. Se tem algo que este filme não tem é qualquer coisa que lembre, minimamente, uma comédia (ainda bem que eu conheço a diretora e já tinha isso bem claro na minha mente). A obra, na realidade, é um drama - e bem amargo - acerca da busca pelo amor romântico e sobre as agruras de ser uma mulher madura, divorciada e mãe à procura de um relacionamento amoroso. Quanto ao primeiro item - a busca pelo amor romântico - o filme faz uma crítica sutil à romantização do amor, ou seja, acerca daquela ideia idílica de que um relacionamento amoroso tem de ser perfeito, ideal, único e completo - e qualquer relacionamento que não se encaixe exatamente neste modelo não deve ser considerado e levado adiante. Já no que tange à segunda questão - a condição da mulher madura, divorciada e mãe - o filme traz à tona o olhar crítico e extremamente cruel que é lançado sobre esta pela sociedade ocidental. Isabelle é objetificada por um dos amantes, desconsiderada por outro, usada por um terceiro. Seus parceiros não a consideram seriamente como opção de relacionamento e ela é jogada de um lado para outro por amantes confusos, inseguros, arrogantes ou, apenas, neuróticos. Okay, Isabelle também tem sua carga de neurose à partir do momento em que delega sua felicidade a um "outro" hipotético, bem como por buscar relacionamentos idealizados (pelo menos um dos pretendentes não deu causa à derrocada do relacionamento, finalizado por uma Isabelle por conta de um "veneno" criado por um "amigo"). Mas é certo que o caminho percorrido por Isabelle tem muitos mais percalços do que o que seria atravessado por um homem na mesma situação ou por uma mulher jovem e sem filhos. Devaneios à parte, o filme funciona bem, ainda que deixe um gosto bem amargo no público (em especial numa espectadora que se identifica, até certo ponto, com o perfil da personagem). Não sei se entendi bem a participação final de Gerard Depardieu na obra (a "entrada" dele na trama, especificamente a cena onde ele aparece pela primeira vez, não fez qualquer sentido para mim). O discurso final me deixou em dúvida se foi ali colocado como uma ironia ou como uma mensagem de esperança - juro que para mim não ficou claro qual foi a intenção da diretora. Gostei da fotografia do filme - por vezes muito luminosa - e achei a escolha da trilha sonora acertada. Achei que alguns cortes da montagem foram meio bruscos, mas desconfio que essa foi a intenção da diretora.Como adoro a atriz, não consigo ser muito imparcial quanto sua atuação - para mim, tudo dela é sempre ótimo! rs O ator Xavier Beauvois, por sua vez, está perfeito como "macho desprezível" (o banqueiro), assim como Nicolas Duvauchelle como "homem confuso" (o ator). Gerard Depardieu fica tão pouco em cena que nem dá para falar muito de seu personagem (mas eu continuo amando esse homem ! <3 <3 <3 ). A obra, como outras tantas da diretora, foca em questões intrinsecamente femininas e deve mexer mais com o público feminino do que com o masculino (que talvez não alcance a dramaticidade do que é exposto). Curti e recomendo.

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