• hikafigueiredo

"Detroit em Rebelião", de Kathryn Bigelow, 2017

Filme do dia (158/2018) - "Detroit em Rebelião", de Kathryn Bigelow, 2017 - Detroit, 1967. Um episódio de violência policial contra negros detona uma grande revolta entre a população negra. Em meio aos tumultos, três policiais brancos, acobertados por membros de outras forças de segurança, torturam e assassinam três jovens negros em um hotel.





Sabe aqueles filmes que dão agonia tais as injustiças que são retratadas nas telas??? Filmes como "Em Nome do Pai", "Em Nome de Deus", "Philomena", "Os Miseráveis", "Histórias Cruzadas", etc? Então vocês podem imaginar o tipo de obra que é "Detroit em Rebelião". É tanta injustiça, é tanto racismo, é tanta violência e truculência policiais, que foi me dando falta de ar e batimento cardíaco acelerado por causa da minha indignação com tudo aquilo. Os espectadores mais empáticos e mais afetos à justiça e aos direitos das minorias vão sofrer com o que verão em cena, mas, justamente por tudo o que retrata, é um obra obrigatória, ainda mais que se refere a um episódio real da história norte-americana. A narrativa é linear e cronológica e, formalmente, investe em um formato jornalístico, com câmera "nervosa", como se fosse "câmera na mão", e no uso de fotografias, recortes de jornais e reportagens televisivas da época. A atmosfera criada é de opressão, tensão e, no tempo em que os personagens estão no interior do hotel, claustrofobia. A montagem, como a fotografia,também é "nervosa", imprimindo um ritmo ágil e tenso à narrativa. Destaque para uma trilha sonora de "black music" maravilhosa. No elenco, John Boyega como o "negro obediente", que acata a opressão branca, não se revolta e aceita tudo calado; Algee Smith como um talentoso músico, integrante de um grupo vocal que acaba, sem querer, no interior do hotel; Will Poulter como o policial racista e cruel, que instiga os seus colegas contra os jovens negros, tão bem no papel que conseguiu despertar meu mais profundo e visceral ódio pelo personagem. Admito que feriu meu coração ver meu xodó John Krasinski ("Um Lugar Silencioso" e o eterno Jim de "The Office") como advogado de defesa dos policiais - eu também o odiei e isso foi doloroso!!! O filme é excelente e Kathryn Bigelow mostra, cada vez mais, seu talento em filmes com temas políticos e sociais. Recomendadíssimo.

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