• hikafigueiredo

"E Então Nós Dançamos", de Levan Akin, 2019

Filme do dia (447/2020) - "E Então Nós Dançamos", de Levan Akin, 2019 - Tiblissi, República da Geórgia. Merab (Levan Gelbakhiani) é um jovem que dedica sua vida à dança folclórica georgiana. A chegada de um novo e talentoso dançarino, Irakli (Bachi Valishvili), despertará novos sentimentos no rapaz.





Nesse delicado filme acerca de autoconhecimento e amadurecimento, o diretor confronta a conservadora e homofóbica sociedade georgiana através do romance entre os dois personagens centrais. O fato de ambos serem dançarinos de dança folclórica deve ter sido quase um acinte para os conservadores, pois esta é uma arte tradicionalíssima no país, cujos praticantes orgulham-se de sua masculinidade (o que é ressaltado em várias cenas do filme). Merab é uma figura interessante, pois desde a primeira cena, percebe-se certo desconforto dele em ser quem é e, por várias vezes, tem sua atenção chamada pelo professor para "endurecer" sua postura na dança. A chegada de Irakli abre os horizontes de Merab que, gradativamente, começa a aceitar e "experimentar" sua verdadeira natureza. A narrativa é muito limpa e clara, quase não há ruídos ou histórias paralelas que confundam a linha principal. Achei curiosa a homenagem e referência ao filme "A Viagem de Chihiro" (2001) através do poster preso à parede do quarto de Merab (o único que não é removido pelo jovem em determinada cena ), lembrando que, como Merab, Chihiro também adentra em uma viagem de autoconhecimento e amadurecimento. A obra deixa evidente, ainda, o estigma de ser homossexual por aquelas paragens, a ponto de Merab ser aconselhado, em determinada cena, a deixar a Georgia ("Não há lugar para você na Georgia"), ainda que, na ocasião, esteja sendo acolhido por seu interlocutor, preocupado com a segurança do rapaz. O filme é visualmente deslumbrante - as cenas de dança são belíssimas, a fotografia, carregada de tons quentes, é igualmente impactante e a direção de arte prioriza os elementos típicos do país (aliás, tudo é interessantíssimo!!!). Levan Gelbakhiani traz para Merab uma angústia inicial que faz com que o personagem mostre-se muito contido, travado, característica que, aos poucos, vai sendo abandonada, na medida em que Merab aceita sua natureza. Eu me apaixonei por Merab e Irakli.!!! A cena final é, simplesmente, maravilhosa, um ato de resistência, um grito de liberdade, aceitação e orgulho do personagem, fiquei arrepiada e tocada. O filme me emocionou profundamente e me prendeu desde os primeiros minutos. Recomendo demais!

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